UDR acusa Incra de forçar venda da fazenda Timboré
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terça-feira, 15 de junho de 2004
José Maria Tomazela<br>Agência Estado 
Sorocaba- A União Democrática Ruralista (UDR), entidade que representa os fazendeiros, vai entrar com uma notificação judicial contra o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para que o órgão federal não proponha aos donos da fazenda Timboré, em Andradina, a venda da terra. Segundo o presidente da UDR, Luiz Antonio Nabhan Garcia, os proprietários estão sendo pressionados a negociar a terra com o Incra.
A fazenda Timboré está invadida por sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra desde o dia 9. ''Esse não é o papel que a lei confere ao órgão do governo'', disse Garcia. ''Agindo dessa forma, o Incra faz conluio com os invasores e estimula novas invasões.''
Garcia Contou que, além do assédio direto à família proprietária, que sempre recusou qualquer negociação, os advogados do órgão informaram à Justiça de Andradina que as tratativas para aquisição da fazenda estavam em curso. Com isso, dificultaram a efetiva reintegração de posse da propriedade. ''Os proprietários procuraram a UDR manifestando total interesse de aguardar a decisão da Justiça sobre o imóvel.''
A fazenda é objeto de uma ação desapropriatória movida pelo Incra sob a alegação de serem terras improdutivas. O processo está tramitando.
Loteamento - A notificação judicial está sendo preparada pela assessoria jurídica da UDR e será protocolada na justiça esta semana. O presidente da UDR cobrou providências do Incra e da Ouvidoria Agrária do governo federal sobre a iniciativa dos militantes do MST de lotearem a fazenda invadida. ''Eles estão fazendo reforma agrária na marra, cadê o governo?''
Ontem a entidade expediu ofícios para o governador Geraldo Alckmin e os secretários José Jesus Cazzeta Júnior, da Justiça, e Saulo de Castro Abreu Filho, da Segurança Pública, pedindo a interferência do Estado na fazenda Timboré. ''Os empregados foram expulsos e os proprietários estão sendo ameaçados.'' Segundo ele, os prejuízos morais e materiais serão de difícil reparação. ''O governador não pode deixar acontecer isso em São Paulo.''


