Bogotá, 27 (AE-AP) - A partir de 1º de setembro, os noticiários colombianos trasmitirão em branco e preto as reportagens relativas ao conflito interno do país, como um sinal de protesto diante da violência e em solidariedade com as vítimas do conflito. "É um gesto simbólico porque o conteúdo e a notícia continuarão os mesmos", explicou Felipe Zuleta, diretor do noticiário Hora 0, um dos promotores da iniciativa. "Somente procuramos buscar mecanismos de protesto que não afetassem as políticas editoriais de cada um dos programas", acrescentou. Os diretores dos noticiários privados regionais e nacionais, 33 em toda a Colômbia, acertaram a forma de protesto na semana passada e estipularam um prazo até o dia 1º de setembro para explicar aos telespectadores porque, a partir dessa data, eles veriam as notícias sobre o conflito em branco e preto. "Não vamos continuar colocando cor na guerra", disse um locutor na mensagem que está sendo transmitida pelos noticiários para explicar a decisão, enquanto se sucedem imagens em branco e preto de combates ou pessoas fugindo dos conflitos, entre outras. Na tela aparece um letreiro, também em branco e preto, dizendo "Não mais", frase de ordem que surgiu de grupos não-governamentais contra o sequestro e que transformou-se na primeira ordem de protesto contra o conflito colombiano, que já dura quase quatro décadas e faz dezenas de vítimas a cada ano. A Comissão Nacional de Televisão, órgão oficial regulador das transmissões, aprovou a decisão assegurando que somente neste semestre já recebeu mais de 200 queixas, número sem precedentes, sobre a forma em que se divulgam as reportagens do conflito. Daniel Coronell, diretor de notícias do informativo RCN, explicou que cada diretor de programa é quem irá definir suas próprias fronteiras, sobre que notícia faz parte do conflito e, portanto, deve ser transmitida em branco e preto. "Corremos o risco de que 50% a 60% (do noticiário) seja transmitido em branco e preto, porém, isso será muito significativo, pois teríamos consciência de que passamos metade da nossa vida nesta guerra", disse Zuleta.

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