A televisão brasileira nunca fez propaganda deliberada a favor de métodos anticoncepcionais. Mas desempenhou um papel destacado nas mudanças de comportamento que levaram a um dos mais extraordinários fenômenos demográficos das últimas décadas: a queda acelerada nas taxas de fecundidade.

A TV reforçou a idéia - principalmente por meio das telenovelas, onde são retratadas famílias com poucos filhos - de que é moderno ter controle sobre a natalidade. Estudo feito em Arembepe, vilarejo do litoral norte da Bahia, mostrou que as mulheres que vêem TV e ouvem rádio desde a infância têm menos filhos do que as outras, cujo acesso à mídia eletrônica ocorreu mais tardiamente.

O estudo sobre a comunidade de Arembepe foi apresentado ontem na Conferência Geral sobre População, em Salvador, pela pesquisadora americana Janet Dunn, do Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Michigan. Durante a sessão que tratou da influência dos meios de comunicação nas mudanças demográficas, ela disse que o rádio e a TV sugeriram possibilidades de mudanças em locais pobres e isolados. ''As telenovelas mostram famílias de classe média pouco numerosas, pessoas que desfrutam a vida e têm possibilidades de mobilidade social. Hoje, mais de 90% das mulheres de Arembepe sabem que é muito caro educar os filhos e elas devem ter poucas crianças.''

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