TV digital vai movimentar US$ 100 bilhões no Brasil
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segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 05 (AE) - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já fez as contas: a mudança da televisão analógica para a digital no Brasil vai movimentar US$ 100 bilhões nos próximos dez anos. Esse mercado bilionário aguarda uma decisão-chave da Anatel sobre qual padrão será adotado no País para dar início à produção local de equipamentos.
Atualmente, uma TV digital custa cerca de R$ 8 mil. A Motorola lançou ontem um dispositivo que faz a conversão do televisor analógico ao digital. Numa apresentação à Anatel, a Motorola informou que a placa que pode ser acoplada à TV analógica deve custar no Brasil R$ 400.
A imagem de alta definição será realidade no Brasil já no próximo ano, segundo o superintendente de comunicação de massa da Anatel, Jarbas Valente. Ele acompanha hoje os testes de campo que estão sendo realizados em São Paulo e admitiu que a cidade apresenta muitos desafios. "Se funcionar aqui, funcionará em qualquer lugar",afirmou.
Até o final deste mês a Anatel, em parceria com a TV Cultura e outras entidades, estará realizando transmissões experimentais do padrão americano ATSC. Os testes de campo tiveram início no final de setembro e os de laboratório foram realizados nos três meses anteriores. Até o final de novembro será testado o padrão europeu DVB-T e até o final do ano estará em teste o padrão japonês ISDB-T. Após essa bateria de testes, a Anatel fará transmissões experimentais com os três padrões novamente.
Nos Estados Unidos, o padrão ATSC tem apresentado problemas de propagação. Segundo Valente, os testes que estão sendo realizados no Brasil não têm precedente no mundo.
A Anatel vai definir o padrão para o País em março de 2000, divulgando depois ma proposta de regulamentação para consulta pública. O regulamento final será aprovado ainda no ano que vem. As emissoras brasileiras já estão se preparando tecnologicamente para as novas transmissões, segundo Valente. Ele afirmou também que os fabricantes terão condições de atender ao mercado brasileiro qualquer que seja o padrão escolhido. A placa da Motorola, por exemplo, tem um software embutido que pode adaptá-la a qualquer padrão.


