TV denuncia censura no ''Globo Repórter''
Sônia Apolinário
Agência Estado
Do Rio
A Rede Globo informou ontem ter sido censurada. Segundo comunicado distribuído pela assessoria de imprensa da emissora, o Globo Repórter previsto para ir ao ar hoje, às 21h30, teve um de seus blocos alterado por causa de decisões judiciais para que não fosse contada a história de um escândalo sexual que envolveria um juiz e um promotor, em Alagoas. Anos depois de a censura oficial ter sido extinta, o programa vai ser exibido com o equivalente à censura prévia imposta pela justiça de Alagoas, afirmou o comunicado.
O Globo Repórter de hoje é sobre prostituição. Mostraria o caso que relaciona o juiz Luciano Galvão e o promotor público Sérgio Simões com prostituição de menores, na cidade de Porto Calvo. Segundo o comunicado, o caso está sendo investigado pela Justiça de Alagoas, mas o juiz Ayrton de Luna Tenório, da Comarca de Porto Calvo, proibiu a divulgação do assunto pela televisão.
A reportagem foi impedida de mencionar os nomes do juiz e do promotor, informou o comunicado. Foram cortados do programa trechos de uma entrevista em que uma menor de idade acusa diretamente o juiz de ter mantido relações sexuais com ela dentro do fórum, em uma sala contígua ao seu gabinete, onde existiria uma suíte com cama, TV e frigobar, afirma o comunicado. Também foram censurados dois trechos de entrevistas onde o nome do promotor aparece: numa delas, uma aliciadora diz que ele era um dos principais envolvidos na cooptação de menores para manter relações sexuais, diz o comunicado. Segundo a assessoria de imprensa da emissora, o departamento jurídico da Globo entrou com recursos para tentar evitar os cortes.





