Turra tenta impedir taxação de exportações agrícolas
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Por Mariângela Heredia 
Brasília, 08 (AE) - O ministro da Agricultura e do Abastecimento, Francisco Turra, disse hoje que é "radicalmente contra" a imposição de taxas sobre a exportação de produtos básicos como soja e café. Na semana passada, informou, o assunto foi discutido informalmente pelos ministros reunidos na Câmara de Comércio Exterior (Camex), quando se alegou a necessidade da medida, ainda que provisoriamente, para conter eventuais abusos nos preços e garantir o abastecimento interno.
A taxação das exportações de soja, segundo o ministro, foi pedida pela Associação Brasileira das Indústrias de àleos Vegetais (Abiove) e apresentada em reunião técnica quarta-feira na Camex pelo secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Claudio Considera.
Turra contou ter demonstrado aos colegas do Desenvolvimento, Celso Lafer, e ao secretário de Comércio Exterior, José Botafogo Gonçalves, na reunião de ministros da Camex na quinta-feira, que não existe, por enquanto, nenhum risco de desabastecimento no País e não há justificativa para o Brasil voltar a "exportar impostos".
Mesmo que a medida tenha sido temporariamente suspensa, até para que se possa acompanhar a flutuação do dólar comercial e o abastecimento interno, Turra admitiu que existe um grupo no governo trabalhando na criação de uma taxa para compensar os Estados pela Lei Kandir - que desonerou as exportações de produtos básicos - ou até mesmo na extinção da lei.
"Mas essa medida tem de ser aprovada pelo Congresso, que dificilmente a aceitaria", avaliou o ministro.
A possibilidade de o governo voltar a taxar as exportações de soja e café provocou reações indignadas na semana passada de lideranças do setor rural e de parlamentares da bancada ruralista no Congresso.
O deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), coordenador de negociação da bancada ruralista, ameaçou a retirada do apoio ao governo nas votações no Congresso e afirmou que os parlamentares defensores da agricultura não aceitarão nenhuma medida nesse sentido. "Vamos jogar pesado."


