Brasília, 16 (AE) - O ministro da Agricultura, Francisco Turra, disse hoje que assumiu o compromisso com a área econômica do governo de conversar com indústrias e supermercados para impedir os aumentos abusivos de leite e derivados lácteos. Essa foi uma condição para que o governo mantivesse esses produtos na lista de exceção à Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, com alíquotas de 30%. Segundo Turra, o Ministério da Fazenda continuará acompanhando com rigor os aumentos dos laticínios, enquanto o Ministério da Agricultura tentará promover um "acerto" entre as indústrias e os supermercados. De acordo com o ministro, as indústrias de leite e derivados alegam que estão tendo margens de lucro de 5%, enquanto os supermercados chegam a margens de 20%. "O certo é que o produtor não foi beneficiado com esses aumentos", afirmou.
Turra contou que conversou com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, o ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer e o secretário da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves, na tentativa de convencer o governo de que os produtores de leite estão organizados, alegam práticas de "dumping" nas importações e não concordariam com a redução das alíquotas do II.
Com o recuo do governo na proposta de redução das alíquotas de leite e derivados lácteos, o ministro Francisco Turra considera que, embora esteja sendo estudada, a diminuição do imposto de importação de fertilizantes ficou mais difícil. "A situação dos fertilizantes é grave e acho inevitável trabalharmos nessa direção, mas as chances reduziram-se após a manutenção das alíquotas dos lácteos", avaliou.
Os técnicos do Ministério da Fazenda acreditam, no entanto, que será possível incluir na nova lista de exceção à TEC que deverá ser divulgada amanhã ou quinta-feira através de decreto presidencial, algumas posições de fertilizantes. Os produtos mais utilizados no País, explicam, são o nitrogênio, fósforo e potássio (a conhecida fórmula N-P-K) e o Ministério da Fazenda avalia a possibilidade de redução das alíquotas do II de matérias-primas como MAP, DAP, uréia, fosfato simples, cloreto e superfosfato simples. Em geral, os fertilizantes têm alíquotas temporárias de 9% e a idéia é zerar para algumas dessas matérias-primas que subiram com a desvalorização cambial e podem encarecer o custo de produção agrícola da próxima safra.

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