Turra quer estimular criação de seguro agrícola privado
Brasília, 26 (AE) - O ministro da Agricultura e do Abastecimento, Francisco Turra, quer estimular a criação do seguro agrícola privado e as operações de mercado futuro na próxima safra, e disse que recebeu o apoio do presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, com quem se reuniu hoje, para a operacionalização dessas medidas. "Mercado futuro é modernização e estamos muito atrasados com este mecanismo adotado em todo o mundo", disse Turra. Ele lembrou que enquanto na Argentina as operações no mercado futuro já correspondem a 40% dos recursos que financiam a safra agrícola, e nos Estados Unidos a 100%, no Brasil este percentual não chega a 5%.
O problema principal é que o investidor externo não pode operar no mercado futuro no Brasil e para alterar esta proibição já existe uma proposta de internacionalização da Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F) sendo analisada no BC há quase dois anos. Segundo Turra, Armínio Fraga garantiu que os problemas estão sendo superados e que a medida será aprovada. "Esta é a saída para desonerar o crédito rural oficial", avaliou Turra. Segundo ele, as únicas operações de mercado futuro hoje no País são feitas através da venda de soja verde e das Cédulas de Produto Rural (CPR) do Banco do Brasil para café e soja. Em relação à proposta de seguro agrícola privado, Turra disse que o presidente do BC mostrou-se "absolutamente favorável".
O Ministério da Agricultura pretende incorporar R$ 50 milhões do Fundo de Estabilidade Rural que era gerido pelo Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) para formar um fundo para proteger os produtores e garantir as operações de seguradoras internacionais. O objetivo do Ministério é deixar o Proagro (seguro oficial) apenas para os pequenos produtores e Turra propôs a Armínio Fraga que a gestão deste programa também fique com a Agricultura, no que foi "prontamente atendido".
Outro tema do encontro do ministro Turra com Armínio Fraga foi a possibilidade de os bancos cooperativos atuarem no crédito rural, com recursos subsidiados pelo governo. Turra disse que em grande número de municípios não existem bancos e a participação de cooperativas facilitaria a democratização do crédito. "O presidente do BC achou ótima a idéia", contou o ministro. Segundo Turra, o presidente Fernando Henrique, em encontro hoje com o PPB, disse que tem recebido muitas queixas sobre a liberação do crédito agrícola e demonstrou interesse em criar formas para garantir a chegada do dinheiro na ponta. De acordo com o ministro, a liberação dos recursos para o sistema cooperativo não comprometeria a atuação do Banco do Brasil, maior agente do crédito agrícola no País. "As cooperativas emprestarão, no máximo, R$ 400 milhões por ano, atendendo cerca de 80 mil produtores", disse Turra.





