Turra fará reforma administrativa no Ministério da Agricultura
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Mariângela Heredia 
Brasília, 30 (AE) - O ministro da Agricultura, Francisco Turra, deverá promover uma reforma na estrutura administrativa do ministério nos próximos dias. As mudanças não são apenas em consequência da pressão dos partidos aliados - principalmente do PPB, ao qual pertence o ministro - mas também da constatação do Palácio do Planalto de que é preciso alterar uma estrutura "velha e viciada".
O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eugênio Stefanelo, deverá deixar o cargo. A empresa voltou a ser alvo de denúncias de corrupção, principalmente em relação aos leilões de produtos agrícolas, que estariam sendo dirigidos a grandes armazenadores.
O Tribunal de Contas da União (TCU) foi acionado para checar essas denúncias, mas, por enquanto, não há provas de desvio. Os secretários de Defesa Agropecuária, Ònio Marques, de Desenvolvimento Rural, Murilo Flores, e executivo, Ailton Barcelos, deverão deixar os cargos.
Barcelos irá coordenar a Agência Brasileira do Agronegócio, cuja estrutura deverá ser aprovada em abril para ampliar as exportações do setor. Já Marques é alvo de críticas do Planalto por não conseguir comandar as mudanças necessárias na área.
O secretário de Política Agrícola, Benedito Rosa do Espírito Santo, e o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Alberto Portugal, deverão ser mantidos nos cargos.
As vagas que se abrirão no segundo escalão do Ministério da Agricultura vêm provocando divergências entre os partidos da base aliada, e o PPB, que dá sustentação a Turra, está tão sem comando, na avaliação de assessores políticos do ministério, que não consegue nem indicar nomes.
Quando assumiu o Ministério, Turra manteve praticamente todos os cargos. Apenas a presidência da Conab, de onde o ministro saiu, foi definida pelo Palácio do Planalto. Agora, o ministro diz que quer mudar, mas para melhor, e os "interesses de todo tipo" do PPB estão dificultando as reformas. Segundo os assessores, Turra tem recebido mais sustentação de outros partidos do que do próprio PPB.


