Ribeirão Preto, 26 (AE) - O ministro da Agricultura, Francisco Turra, disse, durante a reunião com uma comissão dos manifestantes do setor sucroalcooleiro, que será o porta-voz das reivindicações do setor junto ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Turra recebeu a comissão antes da abertura do Agrishow, hoje em Ribeirão Preto (SP), depois que os manifestantes, produtores e empregados da cadeia da cana-de-açúcar bloquearam a entrada da feira, com mais de 100 tratores, formando um congestionamento de cerca de 2 quilômetros. Turra disse que o problema do açúcar e do álcool não diz respeito ao Ministério da Agricultura, mas sim ao do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Ele disse, porém, que sabe que o problema é urgente, e pode ser resolvido de forma rápida. Turra afirmou também que algumas das reivindicações do setor, como a adição de 3% de álcool no diesel, e a substituição do MTBE, utilizado na gasolina no Rio Grande do Sul, por álcool, podem ser implementadas.
Segundo Roberto Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) e da Aliança Cooperativa Internacional, "todo mundo sabe o que tem que ser feito", e que propostas foram colocadas. Ele pediu ao ministro que a questão do açúcar e do álcool seja transferida para o Ministério da Agricultura, onde há mais possibilidades de ser resolvida. A comissão, que teve como intermediador o deputado federal do PFL, Luiz Antonio de Medeiros, pediu solução para o desemprego, que atinge mais de 100 mil trabalhadores do setor na região de Ribeirão Preto. Segundo Medeiros, de um total de 250 mil trabalhadores existentes há dois anos, hoje esse número caiu para 150 mil. Para o secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles, o problema do álcool tem que ser resolvido para que o problema do açúcar seja resolvido. Segundo ele, os altos estoques de álcool têm feito com que as usinas optem pela produção de açúcar, o que já fez com que o preço da tonelada de açúcar caísse cerca de US$ 100.
Ele disse que a produção de cana é um patrimônio do Estado de São Paulo, com 3 milhões de hectares plantados e cerca de 600 mil trabalhadores, e que isso não pode ser perdido. Após o encontro, Medeiros disse que a manifestação iria desobstruir a entrada do Agrishow. Ele disse também que se até o dia 10 de maio o governo não tomar providências, os representantes dos trabalhadores e dos produtores de cana irão fazer uma manifestação nas principais vias de acesso de São Paulo. A manifestação conta com representantes da Orplana, Coopercana, Canaoeste, Sindicatos Rurais e Sindicatos dos Trabalhadores.

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