Turra diz que financiamento da safra de grãos vai exigir R$ 15,5 bi
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terça-feira, 08 de junho de 1999
Por Mariângela Heredia 
Brasília, 09 (AE) - O ministro da Agricultura, Francisco Turra, disse hoje aos dirigentes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) que um levantamento técnico interno do Ministério revelou que a necessidade de recursos para financiar o plantio da safra de grãos 1999/2000 é de R$ 15,5 bilhões. O número praticamente coincide com as estimativas de recursos apresentadas hoje na proposta do setor privado para a safra, de R$ 15 bilhões. Mas o próprio ministro admitiu que os técnicos do governo - incluindo a área econômica - acenam com um volume de R$ 10 a R$ 11 bilhões
praticamente o mesmo anunciado na safra passada.
Turra disse que pretende mostrar os números ao presidente Fernando Henrique Cardoso em viagem que farão a Santa Catarina, na próxima sexta-feira, na tentativa de ampliar os recursos para a safra. Os dirigentes das principais entidades privadas do setor agrícola ressaltaram, no entanto, que o mais importante é a liberação efetiva dos recursos anunciados. "Hoje há um descompasso entre o discurso do governo e o que acontece no campo", disse o presidente da Federação de Agricultura de Goiás e vice-presidente da CNA, João Bosco Umbelino, lembrando que na safra 1998/99 o governo anunciou R$ 11,3 bilhões e só liberou R$ 7 bilhões. "É preciso que haja uma definição efetiva das fontes de recursos do crédito rural", reiterou o presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovsky.
Outras medidas propostas pelo setor privado para a safra agrícola 1999/2000 foram o aumento dos recursos das exigibilidades bancárias de 25% para 30% - parcela dos depósitos à vista destinada ao crédito rural -, a elevação dos limites de financiamentos das culturas - hoje de R$ 300 mil para algodão, R$ 150 mil para arroz, feijão, milho, mandioca, trigo e sorgo, R$ 100 mil para a soja no Centro-Oeste e R$ 40 mil para demais lavouras - a redução das taxas de juros de 8,75% ao ano para 6% ao ano para os recursos controlados e de 5,75% para 3% ao ano para os pequenos produtores, e o lançamento de contratos de opção para a soja. "Queremos que os instrumentos de comercialização da safra sejam colocados em tempo hábil e achamos que o PEP (Programa de Escoamento da Produção) não ajuda o produtor, pois sinaliza os preços para baixo", disse Koslovsky.
Os produtores rurais também pediram ao governo, na proposta para o plano de safra 1999/2000, o cumprimento da resolução 48/96 do Mercosul, que permite o livre trânsito de comercialização de agroquímicos. "Esta medida representa uma economia anual de R$ 500 milhões para o setor rural e se torna ainda mais importante no momento em que discutimos a renda dos produtores", disse João Bosco Umbelino.
Os dirigentes da CNA e da OCB, que estavam acompanhados por parlamentares da bancada ruralista na audiência em que entregaram a proposta para a safra ao ministro Francisco Turra, defenderam ainda a criação do seguro rural para que o produtor possa ter uma garantia efetiva da lavoura. "O Proagro não atende mais as necessidades do agricultor", disse o presidente da Ocepar.
Ele defendeu ainda o aumento do limite de financiamento da soja para a Região Sul, hoje de R$ 40 mil. "De janeiro a abril o ganho do produtor de soja foi de 3,5% mesmo com a desvalorização cambial, e os custos de produção da próxima safra deverão aumentar 27% por causa do aumento de preços dos insumos", avaliou. Se o governo não ampliar o limite, acredita Koslovsky, a área plantada de soja no Sul será reduzida.


