Belo Horizonte, 20 (AE) - O ministro da Agricultura, Francisco Turra, confirmou hoje que a quarta estimativa da produção nacional de grãos safra 1998/99 deverá apresentar uma pequena redução em decorrência de problemas climáticos em algumas regiões do País. Houve perdas nas lavouras de milho e feijão de alguns Estados do Nordeste, e problemas nas lavouras de algodão e feijão de Minas Gerais. A queda, no entanto, não será "significativa" por causa de algumas surpresas "positivas", como o aumento de produtividade de algumas lavouras de milho, soja e arroz.
"Isto equilibrou os números, não devemos ter surpresas", disse Turra. O anúncio oficial da quarta estimativa será feito na quinta-feira, em Brasília. Turra esteve hoje na solenidade de inauguração do novo edifício do 5º distrito de meteorologia da capital mineira.
Ele adiantou que não poderá atender o pleito do setor leiteiro, de incluir o produto no programa de política de preços mínimos do governo federal. "Isto é impossível, temos que trabalhar para criar políticas de sustentação de preços que possam aumentar a venda dos produtores", disse. O presidente da Faemg, Gilman Viana, não quis questionar a posição do ministro. "Nem sempre temos sinalizações favoráveis no primeiro pleito", disse.
O ministro disse que trabalhará "em conjunto" com o secretário de Estado da Agricultura em Minas, Raul Belém, para a implantação de um plano agrícola para desenvolvimento do setor. "Será um programa mais amplo do que um plano de safra", disse. O secretário mineiro mostrou-se satisfeito com a possibilidade de uma maior integração com o ministério, a despeito dos problemas entre o governador mineiro, Itamar Franco, e o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Será um trabalho de maior proveito", disse. Belém pretende apresentar ao ministro algumas questões que precisam de soluções mais imediatas, como recursos para a implantação de barreiras móveis no Estado para defesa e controle da entrada de animais, complementando assim as últimas etapas do programa de controle da febre aftosa em Minas.
Turra voltou a afirmar que acredita que o Estado cumprirá todas as etapas necessárias para conseguir o certificado da Organização Internacional de Epizootiase (OIE) de área livre de aftosa com vacinação. Minas Gerais, e demais Estados do circuito pecuário centro-oeste tem até o dia 30 de junho para cumprir todas as etapas do programa de controle da aftosa.
Até junho o IMA terá que instalar 34 postos de fiscalização fixos e outros 12 móveis nas fronteiras do Estado. A partir de julho o IMA iniciará a coleta de amostras para exame sorológico dos animais que estão dentro da área mineira do circuito pecuário centro-oeste. Dos 10 milhões de bovinos existentes nesta área cerca de 10 mil amostras devem ser retiradas.
O IMA terá até setembro para fazer a avaliação dos exames e iniciar a elaboração do relatório que será encaminhado à OIE. Os animais mineiros que pertencem ao circuito pecuário leste - cerca de oito milhões de bovinos - passarão pelas mesmas etapas dentro de um ano. Ao todo o gado mineiro é de cerca de 18 milhões de cabeças.

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