Ribeirão Preto (SP), 26 (AE) - O ministro da Agricultura
Francisco Turra, disse hoje que o volume total de recursos que serão disponibilizados para o combate ao cancro cítrico será de R$ 50 milhões no prazo de três anos. Segundo ele, até o final deste ano serão liberados R$ 17,5 milhões, sendo R$ 5 milhões nos próximos 30 dias.
O ministro disse que ainda não foi definido quem será o repassador destes recursos, mas que a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo está interessada em participar deste processo. Turra participou hoje da abertura da Agrishow99 - Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, uma das mais importantes feiras de agronegócios do País.
O secretário João Carlos de Souza Meirelles disse que os recursos que estão prometidos para este ano, de R$ 17,5 milhões, não são suficientes para atender a meta de erradicação de 20 milhões de pés de laranja no estado em 1999.
Segundo ele, em 98 foram erradicados 1 milhão de pés de laranja ao custo total de R$ 15 milhões, gastos pelo Fundo para Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Para este ano, o fundo promete destinar o mesmo volume de recursos para o combate ao cancro. No final de maio, o Fundecitrus começa a realizar uma varredura, com 2 mil fiscais, para identificar novos focos de cancro nas regiões produtoras paulistas.
Custeio - Ao contrário do que aconteceu nas primeiras cinco Agrishow, o governo não divulgou, nesta sexta edição da feira, o volume de recursos a ser disponibizado para o custeio da safra 1999/2000. O ministro Turra, disse, durante reunião do Conselho do Agronegócio (Consagro), que o crédito agrícola para a próxima safra ainda está sendo discutido e que deverá ser divulgado a partir de 15 de junho.
O secretário de Política Agrícola, Benedito Rosa, disse, contudo, que este volume de recursos deverá ser inferior ao liberado em 1998, da ordem de R$ 10 bilhões. Isto porque, segundo ele, R$ 4 bilhões estão "engessados" para o pagamento de dívidas dos produtores com o setor privado. "São dívidas em dólares que precisam ser honradas para que os laços entre produtores e indústrias não sejam quebrados", disse.
Cooperativas - O deputado federal Francisco Graziano (PSDB-SP) disse estar preocupado com a falta de definição sobre os recursos para o Programa de Recuperação das Cooperativas (Recoop). Segundo ele, o programa está previsto no orçamento federal, com R$ 2,1 bilhões, mas a fonte para estes recursos não está definida. "Várias cooperativas já possuem projetos aprovados no Recoop mas o dinheiro ainda não está disponível", disse.
Para Roberto Rodrigues, presidente da Associação Brasileira do Agribusiness (Abag), não haverá recursos nem para o custeio nem para outros projetos para a agricultura. "Não existem verbas no orçamento, não podemos contar com recursos externos e o governo está sem dinheiro", conclui.
Negócios - A Agrishow conta este ano com cerca de 350 expositores, 50 a mais que o registrado na feira anterior, espalhados por uma área de 154 mil metros quadrados. A a expectativa é de que movimente R$ 800 milhões. Na Agrishow98 as vendas foram de R$ 600 milhões.
Com sede em Ribeirão Preto, a feira é promovida pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas Equipamentos (Abimaq), em conjunto com a Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Sociedade Rural Brasileira (SRB), Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) e Prefeitura de Ribeirão Preto.

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