Turquia: sobreviventes passam a ser prioridade
Istambul, 24 (AE-AP) - Os meios de comunicação oficiais da Turquia fizeram hoje (24) apelos à comunidade internacional para que enviasse ajuda aos cerca de 200 mil sobreviventes do terremoto que atingiu a região noroeste do país na semana passada. Os apelos são para tudo, de tendas a escavadoras, para começar a reconstrução das cidades devastadas. Embora um garoto de 4 anos, dado como morto pela sua família, tenha sido resgatado ontem (23), as autoridades turcas disseram que a prioridade agora é com relação aos milhares de sobreviventes. Poucas equipes estrangeiras continuam com as buscas, dizendo que algumas pessoas foram encontradas vivas mesmo depois de passarem mais de uma semana soterradas em outros terremotos. O total oficial de mortos na Turquia já é de quase 18 mil, o que aumenta as preocupações com relação ao perigo de epidemias. Médicos israelenses chegaram a suspeitar que um soldado turco de 21 anos estivesse com tifo, uma infecção aguda que se espalha pela comida e água contaminada. "O soldado foi colocado em quarentena, mas, depois, comprovou-se que ele não estava com a doença", disse o porta-voz da equipe médica de Israel, Yaron Bar-Dayan. Mesmo assim, os voluntários de saúde estão preocupados que epidemais potenciais como tifo, cólera e disenteria possam surgir a qualquer momento nos acampamentos insalubres, onde estão vivendo os desabrigados do terremoto. Qualquer emergência média poderá aumentar de forma significativa a pressão sobre o já acuado governo, cujo ministro da Saúde Pública tem declarado insistentemente que médicos estrangeiros e suprimentos não são necessários. Alguns jornais locais vêm pedindo a renúncia do ministro, Osman Durmus, e voluntários de saúde de órgãos de ajuda internacional têm reclamado que nenhum centro de doenças contagiosas foi estabelecido até agora. Fortes chuvas continuam a cair sobre as regiões mais afetadas pelo terremoto pelo segundo dia consecutivo. A lama deixada pelas águas aumentam os riscos de surtos de doenças transmissíveis por mosquitos e insetos, que são atraídos pelas piscinas féticas. Acredita-se que centenas de corpos em decomposição continuem sob os escombros.





