Ancara, 23 (AE-REUTERS) - Um júri turco acusou Abdullah Ocalan por traição nesta terça-feira (23), abrindo um julgamento que pode resultar no enforcamento do líder guerrilheiro por sua campanha de rebeldia armada em favor da autonomia curda.
A primeira aparição de Ocalan perante o júri ocorreu contra um cenário de esporádicos protestos violentos de curdos dentro da Turquia e a crescente preocupação européia para que o julgamento seja conduzido de maneira justa.
A Corte Européia de Direitos Humanos em Estrasburgo pediu à Turquia que explique urgentemente como Ocalan foi preso e se ele estava tendo acesso a representação legal.
Mas por enquanto a Turquia rejeitou um pedido da União Européia (UE) para que seja permitida a presença de observadores internacionais no julgamento, alegando que estes poderiam comprometer a independência de seu judiciário.
Ainda não foi marcada data para o julgamento, que deve ser realizado na prisão-ilha de Imrali, no Mar de Marmara, onde Ocalan está preso desde que foi capturado no Quênia na semana passada por forças especiais turcas. A acusação de traição acarreta uma possível pena de morte, sentença não utilizada pela Turquia desde 1984.
Enquanto isso, tropas turcas mataram 14 guerrilheiros curdos de Abdullah Ocalan em combates no sudeste do país nos últimos dois dias, informaram hoje funcionários de segurança.
Eles disseram que os combates ocorreram nas províncias de Siirt e Sirnak, ambas sob ordem emergencial bloqueando o acesso da imprensa à área predominantemente curda.
Em Teerã, manifestantes favoráveis a Ocalan partiram para a violência ontem. Eles atacaram prédios do governo e incendiaram carros, informaram hoje jornais iranianos.

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