Ancara, 24 (AE-REUTERS) - O presidente turco, Suleyman Demirel, exortou à conciliação nacional seguindo-se à captura do chefe guerrilheiro curdo Abdullah Ocalan, mas tensões aumentaram com a vizinha Grécia hoje (24) com Atenas colocando suas forças fronteiriças em alto alerta.
"A Turquia alcançou o ponto de virada", disse Demirel. "Temos de trazer nossas crianças para baixo das montanhas, por elas serem nossas crianças, levadas enganosamente para o terrorismo, para cometer crimes."
"Temos de fazer isto de forma que não cause mais dores", afirmou ele, referindo-se ao chamado do governo a rebeldes curdos para se renderem em troca de promessas de uma anistia parcial.
Demirel, falando a jornalistas a bordo de um avião a caminho de casa depois de uma visita oficial, criticou a Grécia por secretamente abrigar Ocalan na sua embaixada em Nairóbi por duas semanas antes de sua captura por forças especiais turcas.
"Qualquer um que apóie assassinos de inocentes tem sangue em suas mãos", afirmou ele. "Digo que eles não estão se comportando como um país civilizado. Digo que isto é hostilidade."
Jornais com bons contatos com órgãos de segurança têm publicado o que seriam partes de confissões de Ocalan. Os jornais citam Ocalan dizendo que a Grécia protegeu seu Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e forneceu armas, incluindo foguetes, para sua luta de 14 anos pela autonomia curda, na qual já morreram cerca de 29.000 pessoas.
Advogados de Ocalan duvidam que ele tenha feito tais declarações.
Um grupo de empresários turcos anunciou hoje que iria cortar laços comerciais com seus colegas na Grécia e o Ministério do Exterior da Turquia prometeu levantar as acusações envolvendo a Grécia para a ONU e Otan.
O porta-voz do governo grego, Dimitris Reppas, disse que forças da Grécia na fronteira com a Turquia e ilhas próximas ao país foram colocadas em alto alerta por causa das declarações de Ancara. Mas ele afirmou não esperar nenhum incidente.
Cerca de 6.000 curdos promoveram hoje uma passeata em Berlim em homenagem aos três partidários de Ocalan mortos a tiros durante uma tentativa de invasão do consulado israelense há uma semana. Eles protestavam por causa de notícias de que a inteligência israelense ajudou a capturar Ocalan.
Em Roma, líderes curdos apelaram ao papa João Paulo II para interceder junto à Turquia para salvar Ocalan de uma possível sentença de morte e defender a causa curda perante o mundo.
O pedido foi tornado público enquanto milhares de curdos e italianos, gritando slogans e agitando bandeiras, promoviam uma passeata em Roma em protesto contra a prisão de Ocalan.
Um jornal de Teerã divulgou que três pessoas foram mortas em confrontos entre a polícia iraniana e manifestantes curdos.

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