Ancara, 03 (AE-REUTERS) - O primeiro-ministro turco, o esquerdista Bulent Ecevit, anunciou hoje (03) uma operação nacional de repressão a toda atividade islâmica destinada a interferir na vida política do país, que está em plena campanha para as eleições-gerais de abril.
Ele distribuiu uma circular às principais autoridades exigindo combate sem trégua a toda ação dos muçulmanos integristas que possa conturbar a ordem pública.
"Governadores, promotores, juízes e policiais têm o dever de proteger o Estado (secular)", disse Ecevit em declaração muito bem recebida pelos comandantes das Forças Armadas turcas que mantêm há muitos anos uma guerra não declarada aos fundamentalistas turcos.
A medida tem por objetivo principal delimitar a campanha do Partido da Virtude, que substituiu o integrista Partido do Bem- Estar, fechado em 1997 por pressão dos militares que acusaram seus líderes de violar a constituição turca ao "tentar transformar o país numa teocracia nos moldes iranianos".
Imposta em 1980 pelos militares que ocuparam o poder durante três anos, a Constituição turca proíbe terminantemente a "mistura" de religião com política.
Os políticos muçulmanos criaram, então, o Partido da Virtude que faz oposição, no Parlamento, a um punhado de fragmentadas agremiações seculares. Seus líderes estão prometendo reformar a Constituição se o partido vencer o pleito.
A Turquia, cuja maioria esmagadora da população é muçulmana, tem sido acusada pelos países da União Européia (UE) de violar com frequência os direitos humanos. Dezenas de políticos, escritores e jornalistas foram condenados a pesadas penas de prisão nos últimos anos por difundir idéias contrárias ao Estado secular.
Além da ameaça integrista, o governo turco enfrenta a rebelião curda, que, em 20 anos, provocou a morte de pelo menos 30 mil pessoas.
Hoje, a Justiça turca fechou o Partido Democrático do Povo, a principal agremiação política curda, sob a acusação de "claros vínculos com os terroristas".

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