Turquia e Irã fecham o cerco sobre os curdos
Ancara, 13 (AE-AP) - Os governos da Turquia e do Irã assinaram um acordo de segurança nesta sexta-feira (13) que aumenta a colaboração entre ambos no combate aos rebeldes curdos. O Irã concordou em lançar operações armadas simultâneas com a Turquia contra os rebeldes curdos e estabelecer uma linha direta entre os comandos militares iranianos e turcos para coordenar os ataques. Porém, o acordo firmado fracassou em não alcançar consenso em muitas questões que, recentemente, provocaram tensão nas relações entre os países. Foram três dias de duras negociações e, apesar do fracasso em alguns pontos, o acordo assume particular importância tendo em vista o anúncio de retirada das forças do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), em 1º de setembro, do território turco. Principalmente, porque os rebeldes curdos esperavam poder refurgiar-se na parte curda do Iraque e na fronteira com o Irã. A Turquia já obrigou o PKK a abandonar a Síria e se beneficia de um acordo com os curdos iraquianos, Massud Barzani e Jelal Talabani, que impede os guerrilheiros de se infiltrarem no norte do Iraque. Recentemente, Barzani rejeitou uma oferta de trégua do PKK, indispensável para os guerrilheiros que querem retirar-se da Turquia possam chegar até as montanhas do Iraque. Portanto, para atingir o seu objetivo de isolar completamente os rebeldes do PKK, só faltava ao governo turco obter os meios para impedi-los de rumarem até o Irã. Contudo, a Turquia falhou em obter o compromisso do governo iraniano para expulsar os curdos de seu território, onde Ancara afirma que os rebeldes mantêm bases. Por outro lado, o governo turco recusou-se a pagar ao Irã uma compensação pelo bombardeio ocorrido no mês passado, que Teerã afirma ter atingido seu território. Os representantes de Ancara disseram ainda que o PKK lança suas operações através da fronteira de bases instaladas no Iraque, Irã e Síria. Entretanto, o vice-ministro do Interior do Irã, Gholamhussein Bolandia, que chefiou a delegação de seu país, replicou dizendo que o seu governo não permite a presença de terroristas em seu solo. Embora os turcos tenham apresentados páginas de documentos, que supostamente provam a presença do PKK no Irã, incluindo a localização de campos dos rebeldes e endereço dos líderes, a delegação iraniana disse que não verificaria a informação porque os dois países dão nomes diferentes às cidades fronteiriças. As duas partes concordaram em encontrar nomes comuns aos povoados dessa área. Outro fracasso da negociação foi a tentativa dos turcos de arrancar qualquer garantia de que o Irã pudesse extraditar comandantes do PKK, inclusive o irmão do líder Abdullah Ocalan - preso e condenado à morte na Turquia -, Osman Ocala.





