Turquia condena 114 ativistas curdos por manifesto
Ancara, 09 (AE-REUTERS) - Uma corte turca condenou hoje 114 intelectuais e ativistas de direitos humanos a um ano de prisão por terem assinado um manifesto em 1993 pedindo uma solução pacífica para o conflito curdo no país.
A agência de notícias estatal Anatolian disse que o grupo foi condenado por "propaganda separatista". Ativistas de direitos humanos afirmaram que o manifesto, assinado tanto por turcos quanto por curdos, também havia sido apresentado às Nações Unidas.
Entre os sentenciados está o sociólogo Ismail Besikci, que já foi condenado a 200 anos de prisão por livros e outros trabalhos sobre os curdos.
As autoridades turcas não toleraram muita discordância em seus 14 anos de guerra contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pela autonomia do sudeste do país.
O líder do PKK, Abdullah Ocalan, o homem mais procurado da Turquia, foi preso por forças especiais no Quênia em fevereiro e espera por julgamento na prisão de uma ilha remota. Ele é tido como responsável pela morte de mais de 29 mil pessoas no conflito.
Os advogados de Ocalan pediram proteção ao governo depois de dois membros do grupo terem sido atacados hoje por desconhecidos numa rua movimentada de Istambul. Apesar de ninguém ter sido ferido no ataque, os advogados afirmaram numa declaração escrita enviada por fax à Reuters, que "não é possível falar de um julgamento livre e justo num país onde as vidas dos advogados não estão protegidas".
As guerrilhas do PKK assumiram hoje a responsabilidade pelo ataque a bomba ocorrido ontem. Um guerrilheiro suicida detonou explosivos amarrados ao seu corpo. Além dele, morreu o motorista do governador da província de Hakkari. O governador, Nihat Canpolat, assim como um chefe de polícia paramilitar e um guarda-costas, ficaram feridos na explosão.





