São Paulo- Você gastou o que não pôde na compra de um sapato impecável. Saiu da loja feliz e ansioso para usá-lo. Finalmente, a ocasião perfeita chega. Algumas horas depois, no entanto, você tem de recorrer a um esparadrapo para proteger o dedinho do pé: o sapato não era tão confortável como lhe pareceu ser na loja. A história lhe é familiar? Pois saiba que 85,5% das mulheres acham que os sapatos são desconfortáveis e o mesmo vale para 52,4% dos homens.
A constatação é da tese de doutorado defendida pela pesquisadora Eliane Manfio na Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 2001. Até agora, o trabalho, que custou R$ 200 mil, estava sob domínio de um grupo de 12 empresas de calçados do sul do País, responsável pelo patrocínio do estudo. ''A pesquisa teve como objetivo traçar uma espécie de perfil de medidas do pé do brasileiro'', diz a autora da tese. ''A idéia foi chegar a critérios de conforto e segurança do consumidor.''
O trabalho caiu nas graças da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), entidade privada responsável pela normatização de vários setores no Brasil - incluindo o calçadista - e membro da International Organization for Standardization (ISO). Até o fim do ano, o órgão vai divulgar a norma que diz que os números de sapato que vão do 33 ao 42 deverão ter três subdivisões de tamanho: P, M e G. ''O que muda é o volume de cada um e não o comprimento'', diz Aluisio Otavio Vargas Avila, orientador do estudo da Universidade de Santa Maria. ''Por isso, é diferente de outros países, onde as numerações são divididas ao meio.'' A nova norma não será obrigatória. Ela servirá como sugestão. A diferença de volume entre um P, um M e um G é de cerca 10 milímetros.
A pesquisa que serviu de base às novas medidas foi feita com 1.888 homens e mulheres entre 17 e 65 anos e moradores dos Estados de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre as principais conclusões está a de que o sapato brasileiro de fato não é confortável para o consumidor.
Dor no dedo foi a reclamação campeã entre os entrevistados do estudo: 65,3% dos homens e 42,8% das mulheres acusaram o problema. Curiosamente, o conforto não é o principal objetivo dos homens e das mulheres na hora da compra. O que manda é a moda
A pesquisa da Universidade de Santa Maria detectou também que 13% das mulheres têm pés chatos. Entre os homens, a incidência é de 5%. Para a medicina, a informação não é tão grave assim. ''Há 20 anos, pés chatos e côncavos (oposto do pé chato) eram considerados defeitos'', diz o ortopedista José Ruy Sampaio. ''Hoje, além de sabermos que a maioria desaparece durante o crescimento, raramente traz danos ao corpo, além de dor.'' É justamente por causa da dor que pés chatos e côncavos são ainda motivo de dispensa no Exército.
As marcas Rainha e a Mizuno promovem na capital testes com voluntários. Quem for Shopping Morumbi até o dia 6 poderá participar do Pedar, aparelho que mede a pressão da pisada. A Mizuno oferece o teste do pedígrafo (equipamento eletrônico que radiografa a planta do pé), na Authentic Feet, na Rua Oscar Freire, 969, zona sul da capital.

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