Turistas que chegam ao Rio não recebem informações sobre a dengue
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de fevereiro de 2002
Das agências 
Rio de Janeiro - Apesar do anunciado esforço dos órgãos municipais e estaduais para evitar que o Carnaval do Rio seja marcado pela dengue, os turistas que já chegaram ao Rio para o Carnaval ainda não receberam orientação de órgão municipais para que usem repelentes durante a estada na cidade.
Na segunda-feira, o secretário municipal de Turismo, José Eduardo Guinle, afirmou que já teria enviado uma circular à ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis) e à ABAV (Associação Brasileira dos Agentes de Viagem), solicitando que hotéis e agências de viagem alertassem o turista para a necessidade de se usar repelente três vezes ao dia. Até o fim da tarde de ontem, o comunicado ainda não havia sido repassado pelas entidades aos hotéis.
Precavidos, alguns visitantes já vieram para o Rio alertados sobre os perigos da doença. Na agência de turismo em que comprei minha passagem, em Buenos Aires, já me explicaram que aqui tinha muita dengue, disse o turista argentino Andrés Rodrigues. Por isso, já vim com o repelente na mala, completou. Mas nem todos os turistas que escolheram passar o carnaval na cidade do Rio até ontem com 6.354 casos de dengue notificados, sendo 120 de dengue hemorrágica e sete mortes confirmadas pareciam assustados com a possibilidade de vir a contrair a doença.
Em alguns casos, a desinformação era a principal responsável pela falta de prevenção. Já ouvi falar de dengue, mas me disseram que é uma doença que só ocorre em cidades perto de florestas, disse um turista americano que não quis dar o nome.
A Secretaria Estadual de Sa© úde confirmou ontem a sétima morte por dengue hemorrágica no Estado. Ela foi registrada no município de São Gonçalo, região metropolitana do Rio. De acordo com a secretaria Estadual de Saúde, o número de notificações no Estado já chega a 18.009, sendo 262 de dengue hemorrágica.
Ontem, a prefeitura do Rio deu início a uma operação de guerra no combate à dengue na cidade durante o Carnaval. Pela manhã, agentes de saúde combateram focos da doença nos barracões das escolas de samba Unidos do Viradouro e Imperatriz Leopoldinense, numa ação que será estendida a todos os barracões.
O Sambódromo, que vem recebendo a visita periódica de agentes de saúde, receberá hoje um carro-fumacê para eliminar possíveis mosquitos transmissores da dengue.
Em São Paulo - O primeiro caso de suspeita de dengue hemorrágica, com morte, foi notificado na capital paulista. A vítima, a gerente de vendas Eliete de Jesus Sampaio, tinha 32 anos e morava em Santana, na zona norte. Ela esteve no Rio no fim de janeiro para visitar parentes. De volta a São Paulo, Eliete começou a se sentir mal, foi internada no domingo e morreu na segunda-feira.
A confirmação do caso só deve sair em dez dias, quando testes específicos estiverem prontos. Até agora, exames gerais comprovaram que Eliete morreu por causa de uma doença infecciosa.


