Agência Estado
De Foz do Iguaçu
Os passeios de barco do lado brasileiro das Cataratas do Iguaçu vão permanecer suspensos por mais 30 dias, no mínimo, até a conclusão do inquérito policial que investiga o acidente ocorrido dia 5, no qual morreram o piloto de um barco e seis turistas estrangeiros. Enquanto o turismo de Foz do Iguaçu amarga prejuízos com a interdição do seu mais famoso passeio, conhecido como Macuco Safári, a empresa que presta o mesmo tipo de serviço no lado argentino do Parque Nacional do Iguaçu já registra movimento 20% maior.
Hoteleiros e agentes de viagens de Foz do Iguaçu asseguram que muitos turistas nacionais e estrangeiros incluem a cidade no seu roteiro de viagem só por causa do passeio de barco nas Cataratas. Cerca de 300 pessoas, em média, faziam o percurso nas embarcações infláveis até o canyon do maior conjunto de quedas d’água do mundo. O preço por pessoa era de US$ 33,00. A empresa Ilha do Sol Turismo e Navegação desenvolvia essa atividade havia 13 anos, período em que diz ter feito 50 mil passeios e transportado 600 mil turistas.
‘‘Sem essa opção do lado de cá do parque, nossos turistas estão cruzando a fronteira para fazer o passeio no lado argentino’’, conta o delegado local da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), Neuso Rafagnin. ‘‘Não é justo que a economia de toda a cidade seja prejudicada por causa de uma fatalidade a que qualquer pessoa está sujeita’’, argumenta o secretário municipal de Turismo, Antonio Hernandez González Júnior. Ele considera incoerente a interdição imposta pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
As principais entidades ligadas ao turismo na cidade reivindicam a reabertura do passeio. Entretanto, a presidência do Ibama não está disposta a ceder aos apelos até a conclusão do inquérito policial. Além das investigações da Polícia Civil de Foz e da Capitania dos Portos do Rio Paraná, o Ibama também faz uma sindicância paralela para apurar as causas do mais grave acidente já ocorrido no Parque Nacional do Iguaçu.
Todos os indícios já apurados indicam que houve falha do piloto que morreu na tragédia, Cândido Siqueira, de 23 anos. A concessão dada pelo Ibama à Ilha do Sol venceu um dia depois do acidente.

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