Turismo quer data fixa para desfiles de Carnaval
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Clarissa Thomé<br>Agência Estado 
Rio - Oito em cada 10 agências de viagens perderão dinheiro por causa do Carnaval no início de fevereiro, segundo pesquisa feita pela Associação das Agências de Viagens, seção Rio (Abav-RJ), com donos de 3 mil agências de todo o País. Eles apontam motivos variados: para 52%, falta tempo para a venda dos pacotes turísticos; 30% indicam o encurtamento da temporada de férias como fator prejudicial; e 18% afirmam que as vendas diminuem porque os turistas estão descapitalizados, em função da proximidade com o Réveillon.
A pesquisa engrossa a discussão em torno de antiga polêmica - 82% dos entrevistados são a favor de que o desfile das escolas de samba tenha data fixa, independente do calendário religioso. ''O Carnaval hoje é uma indústria. Não faz sentido que essa indústria fique atrelada a um calendário estabelecido no ano 590'', afirma o pesquisador de Carnaval Hiram Araújo, árduo defensor da nova data. ''Estou em busca de um deputado que encampe essa idéia e crie o projeto de lei fixando os desfiles no primeiro domingo de março'', afirmou.
Araújo calcula que a economia carioca deixe de movimentar R$ 1 bilhão por causa do Carnaval no início de fevereiro. As escolas de samba perdem um mês de ensaios nas quadras - ingressos e vendas de bebidas são renda importante para as agremiações -, também têm dificuldades de comercializar fantasias, porque as pessoas ainda estão endividadas por causa do Réveillon e dos compromissos do início do ano - IPVA, IPTU, matrícula escolar.
Além disso, perdem ainda as agências de viagem, o setor de turismo receptivo - restaurantes, hotéis, guias locais, pontos turísticos, como Corcovado e Pão de Açúcar. ''Do jeito como está, as famílias não têm tempo de se programar financeiramente'', afirma o presidente da Abav-RJ, Luiz Strauss. ''As agências venderão 30% menos do que em relação ao Carnaval passado'', calcula.
As escolas de samba também apóiam a mudança. ''Desfile de escola de samba é um show pago e muito bem pago. Não estamos falando em alterar o calendário religioso, mas marcar uma data para o show das escolas de samba'', afirmou o carnavalesco Max Lopes, da Mangueira. Já o carnavalesco Laíla, da Beija Flor, diz que as escolas fazem o impossível para manter o brilho do Carnaval, apesar de o ''dinheiro ser mais curto.''


