Jacarta, 28 (AE-REUTERS) - Quatro séculos atrás, os portugueses navegaram metade do mundo para pilhar os ricos sândalos de Timor Leste, vendendo-os a preço de ouro nos mercados da Öndia e da Pérsia.
Agora, segundo especialistas, o território manchado de sangue poderá ser empurrado para uma economia de subsistência, vivendo da caridade internacional, caso a Indonésia permita que o lado leste do Timor ande com suas próprias pernas.
Décadas de torpor sob o domínio português (depois da Segunda Guerra) e 23 anos de regras militares impostas pela Indonésia deixaram o empobrecido território de 800.000 habitantes sem indústria, com uma força-de trabalho despreparada e altas taxas de desemprego.
Mas analistas acreditam que um Timor Leste independente poderia sobreviver economicamente, utilizando a ajuda externa para eventualmente desenvolver uma indústria turística.
"Não tenho dúvidas de que o território possa se manter sozinho", disse o especialista australiano em assuntos indonésios Arief Budiman. "O problema real não é econômico, mas político, devido ao antigo conflito entre aqueles que apóiam a indepedência e os que defendem a administração indonésia", afirmou Budiman, que é professor da Universidade de Melbourn.
Como um complemento à opressão militar no território, a Indonésia explorou as rivalidades tribais, colocando timorense contra timorense para estancar o movimento pró-independência.
Com a independência, muitos especialistas temem uma possível volta do derramamento de sangue ocorrido na metade da década de 70, quando uma guerra civil foi deflagrada depois que Lisboa abandonou o território devido ao fim da ditadura portuguesa (Revolução dos Cravos).
Grande parte da recente violência - a comissão de direitos humanos do governo fala em 50 mortos nos últimos seis meses - foi registrada entre grupos timorenses rivais. Muitos, incluindo a Comissão de Direitos Humanos, acusam as forças armadas indonésias (ABRI) de armar gangues pró-Jacarta.
"Meu temor é o de que uma convulsão interna ocorra porque a infra- estrutura política não está preparada para a independência", afirmou o analista político indonésio Mohammad Hakim.
Sob a administração indonésia, milhäes de dólares foram canalizados para a infra-estrutura local, mas poucos timorenses receberam educação universitária ou prosperidades econômica, distanciando a comunidade da experiência necessária para se administrar o país.
As principais riquezas de Timor Leste são o café, os sândalos, o mármore e a exploração do coco, mas tudo em pequena quantidade.
Por outro lado, o território possui uma grande reserva pesqueira que poderia ser explorado. E sua águas tropicais, praias paradisíacas e belas montanhas, além de sua proximidade com a Austrália, oferecem grande potencial de turismo.
Budiman também prevê um potencial para negócios no longo prazo se Timor Leste for capaz de capitalizar sua mão-de-obra barata.
"Se eles instituírem boas leis, se eles conseguirem manter a estabilidade política, eles poderão atrair um monte de negócios estrangeiros, da Tailândia, Coréia do Sul, da Austrália. Eles dependerão do investimento externo por um bom tempo, mas isso é muito mais administrável para eles do que para alguns Estados africanos", afirmou Budiman.

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