São Paulo, 18 (AE) - O turismo interno saiu-se bem no carnaval da crise, apesar de a população ter consumido um volume menor de cerveja e ter ido às compras com moderação na última semana. As agências de viagens registraram neste carnaval um aumento de 35% no número de pacotes turísticos nacionais, que englobam a venda de passagens aéreas e a hospedagem em hotéis, em relação a igual período de 1998. Enquanto isso, a venda de pacotes internacionais caiu 40%.
"Foi o melhor carnaval desde o Plano Cruzado, em 1986, o pico de vendas do setor", afirma o presidente da Associação Brasileira de Agentes de Viagens (Abav), Goiaci Alves Guimarães. Com a desvalorização do real, explica, o turismo interno foi beneficiado. É que cerca de 15% de turistas que tinham planejado viajar para o exterior optaram pelos pacotes nacionais, que ficaram neste ano cerca de 25% mais baratos. Isso significa que o faturamento das agências neste carnaval cresceu 5,6% com a venda de pacotes nacionais. Em Salvador e no Rio de Janeiro, por exemplo, os hotéis da praia ficaram totalmente ocupados. Em Recife e Fortaleza (CE), os índices de ocupação ficaram em 95% e 89%, respectivamente. É a maior taxa em dez anos.
Guimarães atribui também parte do crescimento à população de menor renda, que, na sua opinião, ainda não acordou para a desvalorização da moeda e optou pelo crediário na compra de pacotes, levando em conta se a prestação é compatível com a renda.
Comerciantes da região da Rua 25 de Março, pólo atacadista de matérias-primas de São Paulo, também ficaram satisfeitos com o crescimento de até 15% na receita da primeira quinzena do mês, comparado com o das duas semanas que antecederam o carnaval de 1998.
"O resultado foi melhor que esperávamos", diz o assistente da presidência da União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências (Univinco), Gilber de Farias. Depois de fechar janeiro com queda de 20% na receita, as cerca de 300 lojas da região esperavam repetir o desempenho do carnaval de 1998. Mas o movimento de última hora acabou dando um alento aos lojistas, que prevêem retração de vendas daqui para frente.
Já os fabricantes de cerveja sentiram os efeitos da crise. Na avaliação do vice-presidente da Kaiser, Carlos Eduardo Jardim, as vendas de cervejas deste carnaval foram entre 7% e 8% inferiores às de fevereiro de 1998, depois de um recuo de 8% a 9% no mês passado. O carnaval é o segundo maior pico de vendas da indústria de cerveja depois do Natal, respondendo por cerca de 20% dos negócios.
"Foi o pior carnaval do real", diz Jardim, que atribui a queda nas vendas à incerteza e ao medo do desemprego e não aos aumentos de preços que ocorreram no setor nos últimos dias, de até 3%, por conta das novas alíquotas do PIS e da Cofins.
No litoral paulista, o Carrefour informa que teve um pequeno crescimento nas vendas nas lojas da região. Os hotéis do litoral, de Bertioga ao Vale do Ribeira, ficaram entre 95% e 100% ocupados, repetindo resultado do carnaval de 1998.

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