A instalação da Zona Franca de Puerto Iguazú vai atrair mais turistas para todas as cidades das Três Fronteiras. Essa é a opinião de autoridades de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este ouvidas pela Folha. A cidade argentina, que abriga as Cataratas, recebe cerca de 100 mil visitantes estrangeiros por ano.
‘‘Essa nova opção de compras vai melhorar o turismo mais qualificado e deverá aumentar a ocupação nos hotéis de Foz’’, prevê o presidente da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu (Acifi), Tibiriçá Botto Guimarães. ‘‘O visitante poderá comprar produtos de primeira linha em Puerto Iguazú sem precisar enfrentar os congestionamentos na Ponte da Amizade (que liga Brasil e Paraguai).’’
De acordo com esse ponto de vista, o que é bom para a Argentina é bom também para Brasil e Paraguai. Atraído pela zona franca de Puerto Iguazú, o turista aproveitaria a viagem para visitar as belezas naturais de Foz do Iguaçu - onde ficaria hospedado - e, mesmo com a Ponte da Amizade congestionada, iria a Ciudad del Este para comprar artigos que não estivessem à venda na cidade argentina.
O presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Ciudad del Este (Cicap), Charif Hammoud, acredita que a zona franca de Puerto Iguazú não vai atrapalhar os negócios das cerca de 5,5 mil lojas da cidade paraguaia. ‘‘Sempre vamos apoiar qualquer projeto de investimento para as Três Fronteiras porque vai beneficiar a todos’’, afirma Hammoud. Na sua opinião, a zona franca não vai representar concorrência imediata para Ciudad del Este. ‘‘Nossos comerciantes já estão maduros e Puerto Iguazú vai levar tempo para competir conosco.’’
Apesar de não ter sido criada por nenhuma lei paraguaia, Ciudad del Este vive hoje, na prática, as condições típicas de uma zona franca. A cidade vende mercadorias de todas as partes do mundo sem o pagamento de impostos. ‘‘É uma zona franca de fato, não de direito’’, afirma o presidente da Acifi.
ALC Além de incrementar o turismo, a criação da zona franca poderá fortalecer uma antiga luta de Foz do Iguaçu: a autorização para a cidade sediar uma Área de Livre Comércio (ALC). De autoria do deputado estadual Maurício Requião (PMDB), o projeto atualmente está sendo analisado pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara Federal. O passo seguinte será o plenário da Casa.
O projeto prevê que a ALC venderá produtos brasileiros, que entrarão em Foz do Iguaçu isentos de impostos federais, como se fossem destinados necessariamente à exportação. Esses produtos poderão ser comprados por brasileiros ou estrangeiros - principamente comerciantes paraguaios e argentinos. ‘‘Com a zona franca, nossa luta cresce em importância. É impossível ficarmos em terceiro plano nas Três Fronteiras, sem nenhum benefício em relação aos nossos vizinhos’’, diz Botto Guimarães. (Valmir Denardin)

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