Turismo de eventos aquece economia em Foz
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sexta-feira, 05 de setembro de 1997
Maria Tereza Boccardi Especial para a Folha 
Ney de SouzaSérgio Lobato Machado, do Centro de Convenções, e Miguel Sória, da Foztur: agenda até 2000O setor de eventos em Foz do Iguaçu mostra-se um rentável filão de mercado, que cresce a cada ano e surge como alternativa para o aquecimento da economia local. Apenas no segundo semestre deste ano, os participantes devem deixar cerca de R$ 8,3 milhões nos 27 eventos mais importantes programados até dezembro. São feiras, congressos, cursos e encontros.
Isso sem contar toda a infra-estrutura montada para cada um deles, com material de divulgação, montagem de estandes e patrocínios. Um único evento - o Seminário Internacional de Novas Tecnologias e Serviços de Telecomunicações (Semint) - deve movimentar mais de US$ 3 milhões, em três dias.
Só no primeiro semestre deste ano, o número de eventos aumentou 34,2%, em relação ao mesmo período do ano passado, conforme dados da Foztur (órgão oficial de turismo do município). Os números mostram que Foz do Iguaçu é a cidade que mais sedia eventos no Paraná. No âmbito nacional, São Paulo ainda é campeã.
Com a agenda lotada até 2005, o Centro de Convenções Anhembi não tem mais espaço para receber as programações de pequeno e médio porte. Isso faz com que os promotores procurem outros espaços. Para aproveitar essa superlotação e a tendência local de mercado, a Foztur prepara um Plano de Captação de Eventos.
Hotéis Em Foz do Iguaçu, a maior fatia do bolo cabe ao setor hoteleiro: 63% dos eventos são distribuídos entre 56 hotéis, que possuem a estrutura necessária. Juntos, eles podem receber mais de 19 mil hóspedes. Foz do Iguaçu é, sem dúvida, a capital de eventos do Paraná, diz o vereador Vilmar Andreola (PSDB) e também sócio do Rafain Palace Hotel (quatro estrelas), que vai sediar o Semint, de 6 a 9 de outubro.
Com a perspectiva de se estabelecer no setor, a direção do hotel decidiu investir mais de US$ 500 mil na instalação de um sistema de informática. Segundo ele, será um dos únicos do País a contar com estrutura semelhante. O empresário terá a possibilidade de instalar o escritório dentro do hotel e poderá entrar em contato com a sede da empresa em qualquer parte do mundo, no tempo de uma ligação telefônica.
Nossa média de ocupação no primeiro semestre variou entre 30% e 40%, com a programação do segundo pretendemos chegar a 60%, até o final do ano, afirma Neuso Rafain, outro sócio do hotel. Com capacidade para receber 500 hóspedes, o Hotel Mabu (cinco estrelas) já está com reservas fechadas para quase todo o mês de outubro, em função de três grandes eventos, afirma o gerente peracional, Rogério Filho. Os eventos são responsáveis por 50% da ocupação do Mabu.
Na opinião do gerente geral do Hotel Bourbon (cinco estrelas), Atílio Camargo, hoje vários hotéis dependem desse setor para sobreviver. Segundo ele, em média 70% da ocupação do Bourbon também é gerada pelo mesmo motivo. Camargo conta que já tem eventos agendados até 2005.
Apesar disso, ele considera que faltam incentivos. Camargo argumenta que os preços das passagens aéreas poderiam baixar em até 10%. Se o ICMS fosse anistiado em Foz, como acontece em Ciudad del Este (Paraguai), os preços cairiam.
A rede completa de hotéis, pousadas e pensões é formada por 220 estabelecimentos, totalizando 26,6 mil leitos. São esses números que tornam Foz do Iguaçu o terceiro parque hoteleiro do País, perdendo apenas para o Rio de Janeiro e São Paulo.


