Turbulência externa não afeta captação
São Paulo, 17 (AE) - A turbulência que tomou conta do mercado financeiro internacional por causa da bolsa eletrônica americana, Nasdaq, deve ter aumentado o grau de apreensão dos investidores, mas ainda não está atrapalhando as captações brasileiras: não faltam linhas de bancos internacionais, nem tomadores de papéis de bancos brasileiros. Hoje mesmo o Unibanco lançou um programa de commercial paper (notas comerciais) no mercado americano, no total de US$ 150 milhões, por prazo de 360 dias e custo equivalente a variação da libor, mais 1% ao ano.
O banco também está estruturando duas outras operações de comércio exterior de longo prazo para clientes, adiantou o diretor do Unibanco, Carlos Henrique Catraio. O executivo destacou que, no lançamento anunciado hoje, participam 22 bancos
alguns pela primeira, como uma instituição de Israel e outra da áustria. O diretor de relações internacionais de uma instituição européia instalada no País confirmou que a oferta de linhas internacionais, sobretudo crédito para exportação e importação, é farta e as taxas são baixas. A questão é que faltam tomadores nacionais para esses recursos, o que faz com que os instituições tomem o crédito e acabem dirigindo os recursos para outras finalidades.
Para o diretor do ABN Amro, José Luis Gavião, ainda é prematuro dizer se os mercados emergentes enfrentarão problemas de liquidez por causa da instabilidade das bolsas americanas. Mas o mercado deve contar com um ponto a seu favor. Como o México recentemente passou a captar recursos em mercados mais seletos, onde o retorno é menor, os investidores que tradicionalmente compram papéis da América Latina estavam olhando o Brasil com mais interesse. O objetivo era o de garantir um ganho elevado, já que havia a perspectiva de queda na taxa de retorno também para os papéis brasileiros. Aliás, esse era um dos motivos que estava fazendo grupos nacionais adiarem seus lançamentos. Um cenário de queda mais incerto, talvez acabe estimulando novas emissões. IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1





