Depois de quatro meses de embargo das obras por uma ação civil do Ministério Público de Marília (SP), foram abertas as comportas para funcionamento dos primeiros geradores da Usina Hidrelétrica Complexo Canoas. No dia 9 deste mês, começou a funcionar uma turbina de Canoas 1, localizada entre Cândido Mota (SP) e Itambaracá (46 km a leste de Cornélio Procópio). E no sábado, entrou em funcionamento o gerador 1 da Usina Canoas 2, que fica entre Palmital (SP) e Andirá (36 km a oeste de Jacarezinho).
As duas turbinas somam 51 megawats de energia dos 154.5 megas total das seis turbinas que estarão em funcionamento até o mês de julho. Esta geração será capaz de abastecer uma cidade de 380 mil habitantes.
O complexo Canoas faz parte do consórcio entre a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), com 50.3%, e a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), 49.7%. Um investimento de R$ 500 milhões, que deverá reverter os 154.5 megawats em rede nacional. ‘‘A CBA vai receber esta energia em Alumínio (SP), cidade próxima a Sorocaba, que sedia a fábrica de alumínio’’, explicou o gerente geral do complexo, Rui Cláudio Celini de Carvalho. Segundo ele, 70% do custo do alumínio são de energia elétrica. A CBA produz 50% da energia que consome e adquire o restante. A novidade desta usina em relação a outras construídas pela Cesp no País, é a instalação de turbinas tipo bulbo (oval).
Em janeiro deste ano, problemas ambientais provocaram o embargo da obra. O primeiro ponto argumentado na ação civil pública, impetrada pelo Ministério Público de Marília, é que a Central se utilizava da espécie Tucunaré, peixe da bacia amazônica para repovoamento. ‘‘Isto é um absurdo. Sabemos muito bem das espécies que se adaptam em nossas represas’’, afirmou o gerente de projetos ambientais da Cesp, Antônio Octaviano. O segundo iten dizia que os órgãos ambientais não teriam opinado no licenciamento. O terceiro é que a Cesp teria provocado fogo para promover o desmatamento. E o último pontoque embargou a obra foi a escada para subida de peixes em época de piracema. ‘‘Realmente não tínhamos previsto a escada porque a eficácia era reduzida. Vamos construir, embora a Cesp não concorde do ponto de vista técnico. Será a terceira usina da Cesp a implantar a escada’’, afirmou Octaviano.
Segundo ele, o fluxo de peixe que consegue subir a escada é mínimo. ‘‘Além do mais, nos certificamos de que o Rio Cinzas, que passa ao lado da obra, tem 200 quilômetros de extensão, suficiente para os peixes subirem’’, acrescentou.
O chefe da regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de Jacarezinho, Luiz Tarcísio Mossato, afirma que os demais programas ambientais estão sendo cumpridos pela Cesp. ‘‘Desde o desmatamento , captura de animais, remanejamento, educação ecológica, entre outros’’, enumerouMossato. Ele disse que em setembro inicia-se o plantio de 1100 hectares de árvores nativas e frutíferas nos 50 metros de cada margem para o reflorestamento completo.
Os ambientalistas da Cesp garantem que a obra acompanha e respeita a evolução ambiental. O primeiro estudo para construção da hidrelétrica, realizado na década de 60 por uma empresa canadense, previa uma usina na foz do Rio Cinzas, que inundaria 152 quilômetros quadrados. Em seguida pensaram em uma no Paranapanema com inundação de 95 quilômetros quadrados e depois, com o incremento de ações ambientais, decidiram por duas usinas com alagamento total de 52 quilômetros quadrados. ‘‘Este empreendimento acompanhou toda evolução e as tendências ambientais. A construção de duas usinas foi a melhor solução para preservação ambiental’’, disse Octaviano.
O primeiro canteiro de obras foi instalado em 1991. Em 1994, a obra parou por problemas políticos e financeiros sendo retomada em 1996 com o consórcio CBA. Ao todo foram adquiridas 800 propriedades na bacia e 19 famílias foram relocadas. Os problemas de desapropriações, segundo o inspetor de bordas de reservatórios, Antônio Fernando Kaiser, foram todos resolvidos. Ele diz que somente 2% dos donos das áreas desapropriadas ficaram descontentes com o valor estipulado.
Os municípios afetados pela usina são Cândido Mota, Palmital, Ibirarema e Salto Grande, em São Paulo, e Andirá, Cambará e Itambaracá no Paraná. ‘‘Hoje continuamos com projetos assistencias, diagnóstico sanitário, educação ambiental, entre outros’’, acrescentou Kaiser.

mockup