Túnel ferroviario será inaugurado terça
Marcos Zanatta
De Maringá
O túnel ferroviário, principal obra do Novo Centro de Maringá, será entregue terça-feira, liberando o cruzamento das cinco principais avenidas que fazem a ligação do centro com a zona norte. Foram 10 anos de obras desde a retirada do pátio de manobras da extinta Rede Ferroviária Federal da área de 210 mil metros quadrados, em pleno centro de Maringá. Na realidade, o projeto começou alguns anos antes. No início da década de 80, o então prefeito Silvio Barros apresentou um plano para tirar o pátio de manobras e urbanizar a área.
A principal preocupação era com a complicação causada no trânsito. Na época, apenas as avenidas Paraná e São Paulo faziam a ligação do centro com a zona norte. Com as manobras das composições, o trânsito migrava todo para a São Paulo, onde existia um viaduto com a linha férrea.
Os motoristas que optavam pela Avenida Paraná, principal rota para a Universidade Estadual de Maringá (UEM), às vezes perdiam até 15 minutos aguardando as manobras dos trens. A prefeitura conseguiu uma área de 400 mil metros quadrados, próximo ao Parque dos Cerealistas, onde funcionava um dos almoxarifados da Itaipu Binacional.
Em posse da área, Ricardo Barros iniciou entre 1991 e 1992 a transferência do pátio de manobras. Foram quase dois anos para a construção dos terminais de cargas e transbordo, a vila dos ferroviários e toda infra-estrutura necessária para a Rede continuar trabalhando. O terminal de combustíveis, que antes ficava espalhado pela cidade, foi concentrado nos limites com Sarandi para evitar que os comboios de vagões com produtos inflamáveis continuasse passando pela área central, garantindo mais segurança nas áreas habitadas próximo à ferrovia.
Com o terreno do Novo Centro liberado, a prefeitura criou a Urbamar, uma empresa que tem o papel de urbanizar a área. As primeiras obras, realizadas ainda por Barros, foi prolongar as avenidas Herval e Duque de Caxias atravessando o antigo pátio de manobras, e abrir uma avenida cortando toda extensão da área. Barros encomendou ao arquiteto Oscar Niemayer um projeto, chamado de Ágora, para ocupar os 210 mil metros quadrados. Além do rebaixamento da linhas férrea, o projeto previa a construção de áreas de lazer, bibliotecas, um terminal de transporte ferroviário e vários imóveis. Faltou dinheiro.
Depois que o prefeito Said Ferreira voltou ao cargo passou a priorizar o túnel ferroviário. O primeiro passo foi colocar a Avenida São Paulo no nível dos trilhos, aterrando o viaduto. O novo leito da linha férrea exigiu o rebaixamento de 4 mil metros de extensão, a partir da Avenida Tuiuti até a Avenida 19 de dezembro.
No total, o túnel terá pouco mais de 1,2 mil metros de extensão, sendo o maior trecho ferroviário urbano coberto do País. A cobertura do túnel, que tem 6,7 metros de altura, foi feita com quase 700 vigas e 16 mil placas de concreto. Cada viga pesa cerca de 15 toneladas.
A cobertura reforçada, explica a engenheira da Urbamar, Jocelei Menon, faz parte do projeto de instalar uma avenida sobre o túnel. Para alcançar a altura exigida pelo trânsito ferroviário foram retirados mais de 30 mil caminhões de terras do trecho. A largura do túnel onde existia a ferrovia de Maringá também é superior ao normal. São 17 metros que vão abrigar no futuro mais três linhas férreas e uma estação de passageiros. O projeto é instalar um Veículo Leve sobre Trilhos, conhecido como VLT, ligando Maringá a Paiçandu, Sarandi e Marialva.Obra que parte do projeto do Novo Centro tem 1.200 metros de extensão e é o maior trecho de ferrovia urbana coberto do País
James NegriniJames NegriniJames NegriniTOQUE DE CAIXATúnel deve acabar com os congestionamentos durante a passagem dos trens; operários dão os últimos retoques à obra: linha rebaixada em 4 km





