São Paulo - Cerca de R$ 60 mil. Foi esse o gasto aproximado, só em mão-de-obra, na escavação do túnel feito em direção à Penitenciária do Estado, no Carandiru (zona norte da capital), que desabou domingo, deixando nove presos mortos. Até ontem à noite, a polícia havia recapturado 48 presos e 30 estavam foragidos.
A estimativa foi feita pela Polícia Civil a partir do relato do pedreiro Aílton Alves Vieira, 37 anos, e de seu ajudante Manoel de Almeida, 29. Os dois são acusados de envolvimento na fuga e foram detidos junto com 13 presos na casa a partir da qual o buraco foi iniciado.
Ao delegado Renato Fernandes, do 9º DP (Carandiru), eles disseram que, no total, havia 16 pessoas envolvidas na obra, iniciada há dois meses, ganhando R$ 500 por semana. Aos dois, ''desempregados e sem dinheiro'', além da escavação, cabia fazer a segurança da casa.
A empreitada, dizem os investigadores, foi financiada por um grupo de seis condenados, entre ladrões e traficantes, que estariam no pelotão de elite dos 31 foragidos o grupo que iniciou a fuga e que, de fato, conseguiu escapar.
Com cerca de 120 metros de comprimento e 50 centímetros de diâmetro, o buraco partia de uma oficina desativada da prisão e ia até a rede de esgoto. Outro túnel, de cerca de dez metros, ligava a galeria à casa.

mockup