Rio, 24 (AE) - Uma sucessão de tumultos e pequenas brigas marcou hoje, no último dia do 18.º Encontro Estadual do PT do Rio, as discussões da proposta de entrega pelo partido de todos os cargos que ocupa no governo pedetista de Anthony Garotinho. A proposição é resultado do acordo entre os grupos Opção Popular e Refazendo e uma resposta às declarações do governador, que chamou o PT de "partido da boquinha", por supostamentesó estar interessado em ocupar cargos públicos. Até o fechamento desta edição, a votação ainda não terminara.
A iniciativa de entregar os postos constitui um constrangimento à Articulação, grupo do presidente de honra do partido, Luiz Inacio Lula da Silva, e do deputado José Dirceu (SP), presidente nacional do partido. A tendência controla as Secretarias do Planejamento (com Jorge Bittar), da Ação Social (Antonio Pitanga) e do Trabalho (Gilberto Palmares). Na prática, somente petistas ligados a Santana, como o secretário da Indústria e de Transportes, Raul de Bonis, deverão entregar os cargos.
Santana foi o principal alvo dos ataques de Garotinho e a expectativa, antes da convenção, era a de que ele perderia o espaço que ocupa no governo estadual. Ao todo, o PT detém 200 postos na administração. A decisão não significaria, porém, a ida do PT para a oposição.
"Alguns petistas só sairão dos cargos que ocupam com mandato de reintegração de posse e choque da PM", irozinou um dirigente do Campo de Ação Popular. Um intenso trabalho de bastidores, iniciado ainda ontem (23), marcou a preparação da proposta vitoriosa. Inicialmente, Santana apresentou ao Refazendo uma resolução que considerava acertada a idéia de apoiar Garotinho na eleição de 1998, mas, diante dos recentes ataques do governador, determinava a entrega dos cargos.
O texto também estabelecia que os petistas que continuassem no governo Garotinho teriam suspensos os direitos partidários - não poderiam votar nem ser votados no PT nem poderiam se candidatar em eleições. A proposição causou problemas na base de Santana. O parlamentar temia que alguns dos ocupantes dos cargos que controla e que eram delegados, não acompanhassem a determinação.
O deputado também queria que fosse dado ao diretório regional o poder para renegociar a volta ao governo. O Refazendo
que via o texto inicial com simpatia, mas não aceitava a possibilidade de volta ao governo, concordou em propor apenas a devolução dos cargos, sem considerações políticas e sem possibilidade de recomposição com Garotinho. O apoio do Refazendo a Santana no segundo turno da votação para presidente regional foi condicionado a este acordo.
"Agora, isso é coisa para a (direção) nacional resolver", disse um dirigente petista, pedindo anonimato. "Ao pé da letra do estatuto, quem ficar no governo poderia até ser expulso."

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