Tumulto pode cancelar vestibular da UFRJ
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domingo, 28 de outubro de 2001
Roberta Pennafort<br> Nilson Brandão Junior<br> Agência Estado 
O primeiro dia do vestibular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi marcado pela violência e pelo nervosismo. Estudantes e professores federais, contrários à realização das provas - realizadas graças a liminar judicial concedida no fim da noite de sábado -, fizeram manifestações no campus da universidade, na Ilha do Fundão, zona norte do Rio, e no Colégio de Aplicação (Cap) da UFRJ, na zona sul, tentando impedir a entrada dos candidatos. Nove pessoas ficaram feridas em confrontos com a Polícia Militar.
Os tumultos no Colégio de Aplicação vão provocar a repetição da primeira etapa do vestibular para 14.520 estudantes. Eles fazem parte dos grupos de carreira 2 e 4, os mesmos dos 570 candidatos que prestaram exame no Cap, onde até provas foram rasgadas. Eles terão de fazer novas provas em data ainda não definida. Dos 56.037 inscritos, 50.218 fizeram a prova - 11,4% dos candidatos faltaram ou foram impedidos de realizar os exames, informou a reitoria.
À tarde, o reitor José Henrique Vilhena disse que o vestibular ''foi um sucesso.'' A Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Rio deve entrar amanhã na Justiça com um pedido de anulação da prova. A secretária de ensino superior do MEC Marilena Castro, disse que o Ministério deverá se pronunciar hoje sobre as providências que serão adotadas sobre o cancelamento ou não do concurso.
Os protestos em frente ao Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) da UFRJ começaram por volta das 7 horas, duas horas antes do horário marcado para o início das provas. Gritando palavras de ordem contra o reitor, os manifestantes sentaram na frente do prédio para impedir que os 981 estudantes que deveriam fazer prova no local entrassem. A PM reagiu e houve violento confronto. Bombas de efeito moral foram lançadas contra a multidão. Os policiais ainda agrediram diversas pessoas com cassetetes.
Assustados, candidatos e seus pais assistiam a tudo sem saber o que fazer. Muitos choraram. ''Tenho medo que me arranquem a prova'', disse Andrezza do Espírito Santo, 17 anos, protegida pela mãe e pela avó. ''Estou apavorada com essa confusão toda. Só queria fazer o vestibular em paz, mas fiquei nervosa.'' Um cordão de isolamento foi improvisado para que os vestibulandos chegassem às salas.
De acordo com os organizadores do protesto, seriam nove os feridos (entre servidores federais e estudantes), mas o número não foi confirmado pela Secretaria Municipal de Saúde. Somente duas mulheres, de acordo com o órgão, foram atendidas no Hospital Paulino Werneck, na zona norte, e não teriam ferimentos graves. O sindicalista Jessé Mendes de Moura, que foi levado para o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, teve um corte profundo na cabeça e ficará em observação sob supeita de traumatismo craniano.
O comandante geral da Polícia Militar, coronel Wilton Soares Ribeiro, disse que a ação da PM na Cidade Universitária durante as manifestações foi acertada. Segundo ele, os policiais estavam no campus para ''manter a ordem'' e ''garantir que os estudantes pudessem fazer a prova em paz''. Duzentos e cinquenta policiais estiveram na UFRJ.


