Tumulto marca instalação da CPI da Máfia dos Fiscais
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 12 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Máfia dos Fiscais começou com um tumulto provocado pelo vereador Wadih Mutran (PPB), após uma manifestação de pessoas que acompanhavam a sessão, hoje. Mutran costuma usar essa estratégia para defender o governo municipal e empregou-a novamente hoje, logo depois que o vereador Mílton Leite (PMDB) conquistou os votos necessários para assumir a relatoria da comissão.
Um homem, que se identificou apenas como Miqueas alegando temer represálias, levantou uma faixa preta em protesto contra a eleição de Leite como relator, porque o vereador pemedebista controla a Administração Regional de Santo Amaro, na zona sul. "Isso é pré-julgamento, pois não há nenhuma acusação ou denúncia envolvendo a regional", respondeu Leite. Em seguida, Mutran disse que não admitiria manifestações político-partidárias durante as sessões. A discussão começou e o presidente da CPI, José Eduardo Martins Cardozo (PT), suspendeu a sessão por dois minutos.
Com essas suspensões das sessões, os governistas evitam a argumentação e as obstruções dos vereadores de oposição - a única tática do PT, PSDB e do PC do B diante de sua desvantagem numérica no plenário. A tática pode não ser das melhores, mas tem agradado ao Palácio das Indústrias. "Não tumultuei nada, apenas mostrei que a minha tese, de que a CPI seria política, é verdade", defendeu-de Mutran. "Essas pessoas não representam a população, mas sim partidos políticos porque estão sempre nos gabinetes do PT e do PSDB", justificou. Políciais e promotores - Os integrantes da CPI vão reunir-se às segundas, quintas e sexta-feiras em sessões públicas. Representantes da polícia e do Ministério Público (MPE) vão acompanhar todas as sessões. Na segunda-feira, haverá uma reunião de trabalho, que não será aberta ao público porque será definida a forma e o rumo da investigação.
Apesar de a estratégia estar sendo mantida em sigilo, a intenção do presidente da CPI é iniciar a apuração a partir das denúncias contra os vereadores Vicente Viscome e Hanna Garib, ambos do PPB. Além desses dois parlamentares, estão sendo investigados Cosme Lopes (PPB), Paulo Roberto Faria Lima (PPB) e José Izar (PFL).
O presidente da Câmara, Armando Mellão (PPB), foi citado no depoimento do ex-fiscal da Administração Regional de São Miguel, João Augusto da Rocha. O presidente da CPI, vereador José Eduardo Martins Cardozo, pediu a Mellão que comunique oficialmente o início dos trabalhos ao prefeito Celso Pitta (PPB).
"Como a investigação será relativa a indícios de irregularidades em órgãos da administração municipal, é fundamental que o prefeito seja oficialmente comunicado para que
se julgar necessário, destaque uma pessoa para acompanhar os trabalhos da comissão", afirmou Cardozo. A CPI tem prazo de 90 dias para concluir as investigações e pode ser prorrogada por mais 30 dias, se necessário.
Apesar do tumulto, o vereador José Eduardo Martins Cardozo disse acreditar que o resultado da CPI será satisfatório
por causa da atenção da popular sobre os trabalhos da comissão. Santo Amaro - O relator da CPI afirmou hoje ter "devolvido" a Regional de Santo Amaro. A decisão foi comunicada uma hora e meia depois de encerrada a primeira sessão da CPI para "evitar constrangimentos", segundo Leite. "O prefeito e o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg aceitaram o meu pedido e vão exonerar o administrador nos próximos dias", garantiu Leite. Retomada futura - O administrador regional de Santo Amaro, Gonçalo Guimarães, é engenheiro de carreira e foi indicado por Leite. Ele admitiu, porém, que poderá reaver o controle político da área no futuro. "Talvez possa voltar a conversar sobre isso", admitiu.
Sua eleição para relator da CPI foi a principal crítica feita pela oposição aos governistas que integram a comissão. "Acho complicado os membros da CPI controlarem politicamente administrações regionais", disse o presidente da CPI, José Eduardo Martins Cardozo (PT).
Além de Leite, na comissão estão ainda o vereador Wadih Mutran (PPB) - Vila Maria - e Brasil Vita (PPB), que controlava a Administração Regional do Butantã, mas garantiu que já "entregou" o cargo ao prefeito Celso Pitta.


