Tumulto interrompe depoimento de vereadora
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sexta-feira, 28 de maio de 1999
Por Luciana garbin 
São Paulo, 29 (AE) - Tumulto, interrupções e supostas denúncias marcaram o depoimento da vereadora Maeli Vergniano (sem partido) hoje à tarde na Comissão Parlamentar de Inquérito dos fiscais. Maeli negou as denúncias de que teria obtido privilégios da Vega Ambiental e comandado cobrança de propinas em Pirituba. Depois de ouvir a vereadora durante uma hora, o presidente da CPI suspendeu a sessão, pois Maeli alegou que deporia somente em juízo.
Faltavam ainda Dalton Silvano (PSDB) e José Eduardo Martins Cardozo (PT) fazerem suas perguntas quando este último pediu para conversar com a advogada de Maeli, Tânia Liz Nogueira. Neste momento, ao se levantar, a vereadora derrubou um copo e cortou o dedo.
Depois de falar com Tânia, Cardozo afirmou que um outro advogado, ligado à assessoria de Maeli, estava tentando intimidar os trabalhos. "Alguém levantou três questões para nos intimidar", declarou.
A primeira delas seria a informação de que Cardozo estaria se beneficiando de um automóvel Ímega blindado, cedido pela GM. O vereador explicou que há quase dois meses está realmente utilizando em comodato um carro blindado da montadora. Segundo disse, isso se deve ao fato de ele e sua família estarem recebendo ameaças.
A segunda suposta "denúncia" era a de que o vereador Dalton Silvano estaria com sua carteira de habilitação suspensa. E a terceira e mais grave delas, a de que um advogado que trabalha no escritório de Cardozo teria oferecido, junto com o motorista Eliseu Sanchez, que depôs contra Maeli na CPI, a quantia de R$ 5 mil a duas testemunhas, em troca de que elas modificassem seus depoimentos e a denunciassem.
Perguntada se conhecia a denúncia, Maeli consentiu, mas disse que não poderia fornecer o nome dessas testemunhas. Minutos depois, alegando estar constrangida, disse que só continuaria seu depoimento em juízo. Ao deixar a Câmara Municipal, ela afirmou que estava sendo agredida.
Para os vereadores da oposição, tudo foi uma manobra para atrapalhar as investigações. "Está claro que foi uma maneira de interromper o depoimento no momento em que íamos começar a arguir a vereadora", declarou o vereador Dalton Silvano. "Já estávamos esperando tentativas de intimidação , mas sobraram fatos por ouvir da vereadora", complementou Cardozo. Entre eles
explicar com detalhes de onde vieram os R$ 280 mil usados para comprar uma casa no Guarujá e como o motorista Sanchez conseguia carros da Vega Ambiental para uso particular.


