Tumulto em sindicato provoca morte de segurança, suspende eleição e deixa cidade sem transporte
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terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Clayton Levy 
Campins, SP, 30 (AE) - O segurança Ramon Miranda de Oliveira, de 23 anos, morreu hoje, com um tiro nas costas, durante tumulto na sede do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de ônibus de Piracicaba, interior de São Paulo. Outros dois seguranças que trabalhavam no local, Gerson Bombardelli, de 27 anos, e Juliano Richard Couto, de 22, foram presos em flagrante, suspeitos de disparar o tiro que atingiu a vítima. Por causa da confusão, a categoria paralisou as atividades e deixou a cidade sem transporte coletivo.
O tumulto aconteceu por volta das 05 horas, momentos antes de ter início as eleições para escolha da nova diretoria do sindicato. Segundo testemunhas, um grupo de trabalhadores que apoiam a chapa de oposição, encabeçada por João José dos Santos, tentou invadir a sede da entidade. Os cinco seguranças que estavam no local, entre eles a vítima e os dois acusados, tentaram impedir a invasão e entraram em confronto com os manifestantes. Durante o tumulto foram dados vários tiros. Um deles atingiu Oliveira, que foi levado para o hospital mas não resistiu aos ferimentos. A confusão só terminou com a chegada da Polícia Militar.
Testemunhas apontaram Bombardelli e Couto como prováveis autores do disparo que resultou na morte do colega. Os dois foram detidos e conduzidos a Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Os acusados foram ouvidos pelo delegado Edélcio Vieira. As primeiras investigações indicavam que o disparo teria partido da pistola automática usada por Bombardelli. A arma foi apreendida para testes de balística. Caso a suspeita seja confirmada, o segurança deverá ser indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção). Eleição - A eleição foi interrompida e só deverá prosseguir amanhã (01). Em protesto contra a violência que resultou na morte do segurança, 300 dos 900 trabalhadores da categoria paralisaaram as atividades hoje, deixando a população sem transporte coletivo. À tarde, cerca de 400 trabalhadores realizaram uma manifestação em frente da sede do sindicato, que é filiado a Central Única dos Trabalhadores (CUT). O atual presidente da entidade, Renato Santos, não foi localizado para comentar o caso.


