Berlim, 04 (AE-ANSA) - Desconhecidos violaram na madrugada de hoje (04) mais de cem túmulos do cemitério judaico da capital alemã e picharam dois monumentos, informaram autoridades policiais alemãs. Os atos de vandalismo causaram indignação na comunidade judaica alemã, que exigiu ampla investigação e punição dos responsáveis.
O Cemitério de Weinssens, na zona leste de Berlim, teve 103 lápides de pedras tombadas e, muitas delas, quebradas, provavelmente com o uso de marretas. Os desconhecidos pintaram também cruzes suásticas no monumento em memória dos judeus deportados, erguido no bairro de Tiergarten, e na estátua do escritor Bertolt Brecht, diante do Teatro de Berlim.
Weinssens é considerado o maior cemitério judaico da Europa. Foi fundado em 1880 e abriga os corpos de 145 mil judeus, alguns de personagens famosos como o pintor Lesser Ury, os editores Rudolf Mosse e Samuel Fischer e o publicitário Theodor Wolff."Foi um ato desumano", disse Andreas Nachama, porta-voz da Comunidade Judaica de Berlim
A polícia alemã disse não ter pista sobre os autores dos atentados. Mas acredita que possam ter vínculos com a ultradireita alemã, cujo bom desempenho nas últimas eleições regionais (5% dos votos) preocupa os governos europeus.
Desde a queda do Muro de Berlim, há dez anos, multiplicaram-se os ataques a cemitérios e bens judaicos no país. Grupos de neonazistas proliveram na ex-Alemanha Oriental. Eles dirigem também suas agressões aos imigrantes, que acusam de "roubar postos de trabalho" dos alemães. Os ultradireitistas são contrários também aos processos indenizatórios que correm em tribunais alemães e americanos de milhares de judeus submetidos a trabalhos escravos em empresas alemãs durante a 2ª Guerra Mundial.

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