Brasília, 29 - O líder do governo no Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), disse hoje que os economistas Rubem Novaes e Luiz Augusto Bragança, que prestaram depoimento ontem (28) na CPI do Sistema Financeiro, terão que voltar a prestar esclarecimentos à comissão, depois que forem levantadas as informações resultantes da quebra do sigilo telefônico de ambos.
Segundo Tuma, eles terão de explicar as ligações que fizeram, principalmente no período da mudança de regime cambial e da negociação com o Banco Central em busca de socorro para os bancos Marka e Fonte Cindam. Tuma considera que as ligações feitas por Bragança do quarto do hotel em que se hospedou em Brasília, entre 13 e 15 de janeiro deste ano, sugerem que ele ficou na capital federal para acompanhar as negociações e a decisão do Banco Central.
Conforme o levantamento disponível na CPI, na noite do dia 13, Bragança fez pelo menos duas ligações para seu irmão Sérgio Luiz Bragança, com duração de 15 minutos no total. Na amanhã seguinte
às 12h10, Luiz Augusto ligou para a Bolsa de Mercadorias e de Futuros (BM&F), em São Paulo. Esta ligação durou oito minutos. Em seguida, telefonou para a chefia do Departamento de Fiscalização do BC, conversando por nove minutos. Luiz Augsuto ligou, também, na manhã do dia 14, pelo menos três vezes para o Banco Marka, no Rio de Janeiro, e, do início da tarde do dia 14 até a manhã do dia 15, falou com Rubem Novaes pelo menos sete vezes. Luiz Augusto Bragança ligou também para a Macrométrica, no Rio de Janeiro, às 15h48 no dia 14, e a ligação durou 20 minutos. Na noite do dia 14, às 20h38, ele telefonou novamente para seu irmão Sérgio Luiz Bragança, com quem falou por 12 minutos. Segundo o senador Romeu Tuma, esta assessoria não deve ter sido prestada como favor.

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