São Paulo, 02 (AE) - O delegado Romeu Tuma Júnior irá solicitar a quebra do sigilo bancário do vereador José Izar (PFL), e de seu irmão, Willians Izar. O pedido será encaminhado no relatório final do inquérito policial que investiga esquemas de extorsão de dinheiro na Administração Regional da Lapa, que será concluído até a próxima semana. As contas bancárias podem revelar se o vereador e seu irmão foram beneficiados em esquemas de cobrança de propinas de ambulantes e empresários da região da Lapa.
"Todo o dinheiro arrecadado de forma ilícita teve de ter um destino", disse o delegado. Várias pessoas afirmaram, em depoimento à polícia, que deram dinheiro para fiscais. A polícia encontrou na conta do agente de apreensão Januário Costa Santos um cheque de R$ 3 mil, pago pelo dono de um posto de gasolina da região. Segundo o fiscal, o cheque, que era o pagamento de uma propina, foi depositado a pedido do ex-administrador regional Gilberto Trama. Após ter descontado o cheque, Santos entregou o dinheiro para Trama.
Uma ambulante da Rua Doze de Outubro, na Lapa, afirmou à polícia que, semanalmente, fiscais da regional cobravam R$ 100 00 de propina. Na época da campanha eleitoral do ano passado, os camelôs eram obrigados a pagar R$ 200,00, que seriam destinados à campanha de Willians, candidato derrotado a deputado estadual no ano passado.
O delegado tem convicção de que Izar tinha participação no esquema de arrecadação de propinas na regional da Lapa, na época em que controlava politicamente o órgão. "Ainda bem que na Justiça não há negociações de bastidores", disse Tuma Júnior, referindo-se à absolvição de Izar do processo de cassação de seu mandato, na Câmara Municipal.
O delegado lembra que Izar e seu irmão cometeram crime eleitoral ao utilizar a máquina da regional para a campanha de Willians. A polícia apreendeu várias notas fiscais de material de campanha do irmão de Izar que foi retirado por funcionários da regional da Lapa.

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