São Paulo, 14 (AE) - Depois de um ano e meio à frente das investigações sobre os escândalos que envolvem a Prefeitura de São Paulo, o delegado Romeu Tuma Jr. deixou hoje a direção desses inquéritos. Ele anunciou sua saída minutos antes do início do depoimento do secretário Municipal de Governo, Carlos Augusto Meinberg, no Departamento de Investigações e Registros Diversos (Dird), da Polícia Civil, que acabou não ocorrendo.
Em nota oficial divulgada à imprensa, por volta das 15 horas, Tuma Jr. alegou ter solicitado o afastamento do cargo devido ao fato de seu pai, o senador Romeu Tuma, ser pré-candidato a prefeito de São Paulo. Entretanto, no mesmo instante em que a nota era distribuída, o senador concedia uma entrevista à rádio CBN afirmando que seu filho havia sido afastado das investigações sobre a máfia das propinas que envolve a Prefeitura por sugestão do delegado-geral da Polícia Civil, Marco Antônio Desgualdo. "Ele é subordinado e não tem o que discutir", disse Tuma na entrevista à rádio.
Na nota, Tuma Jr. disse que a reunião em que ficou estabelecido seu afastamento foi convocada pelo delegado-geral Desgualdo e contou com a presença do delegado diretor do Dird, Jorge Miguel. Momentos depois da entrevista de Tuma Jr, o delegado Miguel Jorge disse que a polícia jamais fez pressão para que ele deixasse o cargo. "Tuma sai da Força-Tarefa, mas continua delegado", afirmou. Quanto ao fato de ele deixar o cargo momentos antes do depoimento do secretário Meinberg, Miguel Jorge declarou: "Foi uma simples coincidência."
Para alguns colegas de trabalho, entretanto, o delegado Tuma Jr. confirmou ter deixado o cargo por causa de pressões. Ele garantiu, também, que não passaria horas e horas estudando o inquérito que investiga o possível pagamento de propinas pela Secretaria Municipal de Governo a alguns vereadores da Câmara Municipal de São Paulo para deixar o cargo minutos antes de inquirir uma testemunha-chave como Augusto Meinberg. Na entrevista que concedeu, o delegado fez questão de dizer que tinha coisas importantes para questionar a Meinberg.
O secretário municipal Carlos Meinberg deixou o prédio do Dird sem dizer o motivo pelo qual não depôs. "Isso ocorreu por conta de questões burocráticas", limitou-se a comentar. Indagado a respeito das negociações que a Prefeitura faria junto aos vereadores para evitar o impeachment de Celso Pitta, Meinberg ficou irritado com a palavra "negociações" e disse que o que poderia ocorrer seriam "conversações". Mas ao final da tumultuada e rápida entrevista, o secretário afirmou: "Você já viu um time que vai entrar num campo de futebol contar a estratégia antes do início do jogo?"

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