Tuma diz que pedirá intervenção do BC no Banco Rural
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quinta-feira, 23 de março de 2000
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 24 (AE) - O sub-relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, deputado federal Robson Tuma (PFL-SP), disse hoje que vai pedir a intervenção do Banco Central (BC) no Banco Rural.
Tuma reafirmou hoje a acusação de que o Banco Rural sonegou informações sobre a movimentação financeira do deputado federal Augusto Farias (PPB-AL) na agência de Maceió. "O banco sonegou documentos não só sobre Augusto Farias, mas de outros correntistas que tiveram o sigilo bancário quebrado pela CPI", afirmou Tuma, acrescentando que vai pedir intervenção do BC no Banco Rural.
Segundo o deputado, entre os documentos sonegados pelo Banco Rural, estão as fichas cadastrais das contas do empresário Paulo César Farias e da namorada dele, Suzana Marcolino, assassinados em 23 de junho de 1996.
"Estranhamente, esses documentos não estavam na agência e apareceram de repente, quando tomamos conhecimento que haviam sido enviados por malote da matriz em Belo Horizonte para Maceió", explicou o sub-relator da CPI.
O deputado disse que não está descartada a possibilidade de contas fantasmas abertas por PC terem sido movimentadas depois da morte do ex-tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor de Mello. "A partir do momento em que o banco sonega informações, tudo é possível", afirmou Tuma.
Segundo ele, os documentos apreendidos no banco (extratos, cheques, fichas cadastrais, comprovantes de saques e depósitos) são de fundamental importância para o trabalho da CPI.
"Colhemos documentos que o banco tinha dito à CPI que não existiam", afirmou Tuma. "Isto prova que houve sonegação"
acrescentou. Para o deputado, a gerente da agência, Noemi Lyra, confirmou a intenção do Banco Rural de não atender o pedido da comissão. "Se a própria gerente disse que havia enviado os documentos solicitados à CPI para a matriz do banco em Belo Horizonte, e esses documentos não chegaram à comissão, é porque a direção do banco sonegou informações", concluiu.
A diligência do sub-relator da CPI no Banco Rural contou com apôio do delegado aposentado da Polícia Federal (PF) Paulo Lacerda e de quatro auditores do BC. Eles chegaram em Maceió na ontem (23) e hoje mesmo retornaram aos Estados. Tuma disse que os integrantes da CPI do Narcotráfico retornam a Alagoas em 9 de maio, quando realizarão novas diligências, ouvirão novas testemunhas e deverão reinterrogar pessoas que foram ouvidas pela comissão.


