São Paulo, 14 (AE) - O delegado divisionário Romeu Tuma Júnior, do Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird), solicitou hoje seu afastamento do grupo força-tarefa que investiga denúncias de corrupção em São paulo. O pedido foi feito uma hora antes de ele ouvir o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, investigado por envolvimento num suposto esquema de compra de votos na Câmara.
Em nota divulgada à imprensa, Tuma alegou que a eventual candidatura de seu pai, Romeu Tuma (PFL), ao cargo de prefeito de São Paulo poderia atrapalhar as investigações do grupo. A força-tarefa vem há 1 ano e 5 meses apurando casos de corrupção na cidade. Segundo Tuma, existem hoje cerca de 60 inquéritos abertos. "Achei melhor sair, estava correndo um sério risco de o depoimento ser prejudicado", disse.
Reunião - A saída oficial de Tuma foi decidida às 13 horas, numa reunião convocada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Marco Antonio Desgualdo, e pelo diretor do Dird, delegado Jorge Miguel, no Palácio da Polícia Civil.
Em entrevista, Tuma disse que no encontro foi afirmada a incompatibilidade de ele comandar as investigações envolvendo o prefeito Celso Pitta (PTN) e ter o pai como candidato ao mesmo cargo.
Fontes, porém, garantem que o delegado teria sofrido forte pressão para abandonar o caso e não ouvir o secretário. "Não sou a Polícia Civil, ela está cheia de delegados para investigar o caso", disse Tuma.
Segundo o delegado Jorge Miguel, após a reunião Tuma afirmou que iria ouvir o secretário. "Depois, me ligou e disse que não presidiria mais nenhum depoimento", contou Miguel. "Foi de livre e espontânea vontade, ninguém forçou nada." Até o início da noite não havia sido designado um novo delegado.
Para o promotor Roberto Porto, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a atitude tomada pelo delegado foi louvável. "O Tuma está protegendo as investigações", disse. "Se ele ficasse, alguém iria dizer que teria tirado proveito das investigações para ajudar o pai."
Acenos - O secretário Carlos Augusto Meinberg entrou às 14 horas no edifício do Dird sem falar nada e pronto para depor. Uma hora e meia depois saiu acenando e sorrindo para repórteres e fotógrafos. Meinberg não quis comentar o cancelamento de seu depoimento. "Foram problemas burocráticos."
Ele também não quis fazer avaliação sobre a primeira grande derrota do prefeito Celso Pitta na guerra contra a abertura do processo de impeachment. Mas, apesar de não fazer comentários, deixou claro que já tem uma estratégia e que vai entrar em "conversação" com os vereadores. "Você já viu alguém entrar com seu time no campo de futebol apresentando as estratégias?", indagou Meinberg. "Ninguém faz isso, aguardemos os fatos."
Anhembi - O diretor de Eventos e Turismo da Anhembi, Edelmo dos Santos, prestou depoimento ao delegado Itagiba Franco, do Dird, que preside o inquérito que apura a contratação de vários funcionários fantasmas pela Anhembi Turismo e Eventos.
Segundo Franco, o depoimento seria mantido sob sigilo para não atrapalhar as investigações. Franco apenas informou que o ex-prefeito Paulo Maluf será intimado após o dia 27, quando volta da Europa, e que o ex-secretário de Governo Edvaldo Alves, que está em tratamento médico nos Estados Unidos, deve ser intimado depois do dia 10 de maio.

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