O relator da comissão de sindicância criada na Câmara para apurar o assassinato da deputada Ceci Cunha (PSDB-AL), deputado Romeu Tuma (PFL-SP), acusou ontem, em Brasília, de ‘‘mal- conduzido’’ o inquérito de responsabilidade do delegado Arnaldo Carvalho, que comanda a equipe mista civil-federal investigativa do crime, em Maceió. ‘‘Do jeito que o inquérito está andando, não vai chegar a lugar nenhum’’, afirmou.
‘‘O delegado não tomou providências básicas que qualquer inquérito precisa seguir, é primário’’, disse. Tuma afirmou que vai pedir que a Polícia Federal (PF) tome frente à investigação. Para o deputado, o depoimento do delegado à comissão foi suficiente para perceber que a polícia alagoana ‘‘não tem nenhuma condição’’ de continuar nesta investigação.
Na semana passada, contudo, quando o inquérito foi entregue à comissão, o superintendente da PF, Vicente Chelotti, elogiou o trabalho da Polícia Civil e afirmou que o inquérito estava quase concluído. ‘‘Tudo indica para que o principal suspeito de mandante do crime seja o deputado Talvane Albuquerque (PFL-AL)’’, afirmou Chelotti. Segundo ele, só faltava, ‘‘para dar um ponto final ao caso’’, prender os três assessores de Albuquerque, suspeitos de serem executores do crime, que estão foragidos desde o dia 18, com prisão preventiva decretada.
Ontem, 60 homens da PF estavam fazendo a segurança dos depoentes no inquérito. O mais esperado, considerado testemunha-chave do caso, o pistoleiro Maurício Novaes, o ‘‘Chapeú de Couro’’, entrou na sala da comissão às 17 horas.
Com camisa xadrez, corrente no pescoço e um boné branco com a inscrição ‘‘Mano Governador, Ceci Vice’’, ‘‘Chapéu de Couro’’ distribuiu sorrisos, mas não falou com a imprensa na entrada. O pistoleiro depôs à PF em São Paulo há quinze dias, acusando Albuquerque de tê-lo contratado para matar o deputado Augusto Farias (PFL-AL). ‘‘Chapéu de Couro’’ teria desistido do assassinato por encomenda por não querer se envolver com investigação federal e procurado Farias para denunciar a intenção de Albuquerque.
Um dos policiais federais enviados a Alagoas afirmou que a condução do inquérito criticada por Tuma não está ‘‘de se jogar fora’’. O problema, segundo ele, é que há ‘‘pressões de vários lados’’ para evitar que o inquérito ‘‘vá longe’’.
‘‘Em Alagoas, há muita coisa protegida que ninguém chega perto, ou você acha que o PC foi morto pela amante?’’, questionou. O ex-tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Paulo César Farias, e a namorada dele, Susana Marcolino, foram encontrados mortos em Maceió, há dois anos e meio.
De acordo com o corregedor-geral da Câmara e presidente da comissão, Severino Cavalcanti (PPB-CE), a crítica de Tuma não tem relação com o objetivo da comissão. ‘‘Estamos trabalhando para investigar se houve quebra no decoro parlamentar de algum deputado nesse crime’’, destacou.
A quebra do decoro pode ser apenas pelo fato de Albuquerque ter algum relacionamento com um pistoleiro de aluguel - mesmo que o inquérito policial não chegue a nenhuma conclusão sobre o assassinato de Ceci.
Além do depoimento de ‘‘Chapéu de Couro’’, foram ouvidos ontem a prefeita de Anadia (AL), Marlene Fidelis, que disse ser Albuquerque ‘‘incapaz de matar uma mosca’’; o policial Jorge Farias, que teria agido como intermediário no contato do pistoleiro com Augusto Farias, e o segundo suplente da coligação que elegeu Ceci, deputado Elenildo Ribeiro.

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