Tuma convoca Garib para prestar esclarecimentos
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 24 (AE) - O ex-vereador e deputado estadual Hanna Garib foi convocado pelo deputado Romeu Tuma Júnior para prestar esclarecimentos sobre eventuais esquemas de propinas na Administração Regional da Sé.
Hoje, o delegado Maurício Correali entregou na presidência da Assembléia Legislativa o ofício convidando o deputado para ser ouvido na Polícia Civil, na próxima sexta-feira.
Tuma pretende ouvir Garib a respeito de um inquérito policial aberto há cerca de um mês e que está sendo mantido em sigilo pela Justiça. A Agência Estado apurou que as investigações seriam semelhantes ao outro inquérito sobre a regional da Sé, concluído há cerca de dois meses, e que aponta suposta participação do ex-vereador em esquemas de extorsão, na região central.
O inquérito foi entregue pelo delegado Tuma ao procurador-geral de Justiça Luiz Antonio Marrey que, pela lei, é quem tem poderes para oferecer denúncia contra o deputado na Justiça.
O delegado Naief Saad Neto realizou hoje uma acareação entre o vereador Dito Salim (PPB) e três funcionários da empresa Panco. Salim é suspeito de envolvimento em duas supostas tentativas de extorsão da Administração Regional de Itaquera sobre a empresa, em 1997.
A investigação começou a partir de uma denúncia do deputado estadual Conte Lopes (PPB) à Polícia Civil, em abril. A versão apresentada pelo deputado e confirmada pelos diretores da empresa é que, no primeiro semestre de 1997, fiscais da regional de Itaquera teriam pedido R$ 6 mil de propina para não embargar uma loja que a empresa estava construindo, na região. No segundo semestre, funcionários da regional teriam pedido mais R$ 50 mil da Panco, para a festa de aniversário de Itaquera.
Ao discutirem com o vereador sobre o assunto, Salim teria dito ao deputado Lopes e aos diretores da empresa que era melhor pagarem a propina para que a obra não fosse embargada. Em depoimento à polícia, Salim negou que tenha intercedido a favor da suposta tentativa de extorsão. O parlamentar sustenta que a discussão com os funcionários da empresa e com o deputado Lopes foi que a melhor saída seria pagar ou recorrer das multas que a empresa tinha sofrido por causa da obra.
Em relação aos R$ 50 mil, o próprio delegado Saad não acredita que tenha sido uma tentativa de extorsão. "Foi enviado um ofício da regional pedindo uma doação para a empresa, o que não é crime", justificou Saad. "Os R$ 50 mil, na verdade, era o custo total da festa", completou Saad.
Segundo o delegado, o objetivo principal é investigar se realmente houve cobrança da propina de R$ 6 mil pelos fiscais da regional. Na próxima semana, deve ser realizada nova acareação entre Salim e o deputado Lopes, autor da denúncia.
Para Salim, as denúncias foram inventadas como uma forma de prejudicar sua imagem. No depoimento prestado à polícia e na acareação de hoje, Salim negou qualquer envolvimento em esquemas de propinas na regional de Itaquera. Na saída, o vereador não quis conversar com a imprensa.


