Da Redação
e Agências
O tão temido ‘‘Bug 2000’’ não aconteceu, na virada de 1999 para 2000. Tudo funcionou normalmente: nenhum míssil foi disparado acidentalmente, as centrais nucleares funcionaram, assim como as telecomunicações, não faltou energia e quem quis pôde retirar dinheiro dos caixas eletrônicos. Nos cinco continentes, a maioria dos países passou pelo teste sem problemas significativos.
Na América Latina, nenhum país informou sobre problemas, como no resto do mundo, onde, à 01H30 GMT, a metade geográfica do globo e mais de três-quartas partes de sua população festejaram a chegada do ano sem dificultades, excetuando as comuns a qualquer celebração em massa.
A boa nova foi confirmada também nos EUA, pouco depois da entrada de 2000, por John Koskinen, conselheiro do presidente Bill Clinton para o assunto. Segundo ele, a maioria dos países passou até o momento pela prova do efeito 2000 sem ‘‘problemas significativos’’.
‘‘Uma grande parte do mundo entrou este ano novo sem apresentar sintomas, até o momento, de problemas significativos ligados ao efeito informático de 2000’’, declarou Koskinen, diretor do Conselho presidencial para a passagem ao ano 2000.
No Brasil, o ministro do Planejamento, Martus Tavares, afirmou categórico que a ‘‘operação anti-efeito 2000’’ foi um sucesso e que, portanto, os planos de emergência não seriam aplicados. Em nenhuma capital ou grande cidade brasileira foram registrados blecautes, nem interrupções de qualquer dos serviços básicos, em consequência do efeito 2000.
Os aeroportos funcionaram normalmente, mesmo durante a interrupção das decolagens quando faltavam 15 minutos para a meia-noite. Uma das maiores preocupações era com o sistema de navegação aérea, que em todo o mundo é regido pela hora GMT. Mas, quando chegaram as 00H00 GMT, nada ocorreu. A Associação Internacional do Tráfego Aéreo (IATA), com sede em Montreal, comunicou que não havia ‘‘nada a relatar’’.
Falhas no Brasil Apenas cinco pequenas falhas haviam sido registradas até o começo da tarde de ontem pelo Centro de Coordenação Geral das ações contra o Bug do ano 2000, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Defesa. Segundo o secretário adjunto da Comissão contra o Bug, Marcos Osório, houve dois problemas com programas de computadores nos Hospital Geral de Vila Penteado (São Paulo) e no Hospital D‘Avila (Recife).
O problema foi resolvido pelos técnicos dos próprios hospitais. Também houve falha em três máquinas de pedágio em São Paulo, que emitiram recibos com data errada. A falha, no entanto, não trouxe nenhum problema para o funcionamento dos pedágios, nas rodovias D. Pedro I (km 55), SP 300 na altura de Avaí e na Pirajaí-Guarujá. O brigadeiro Ademir Viana informou que no momento da virada do ano havia menos de trinta aviões voando no Brasil, e que não foi registrada qualquer anormalidade em seus equipamentos.
No Estado No Paraná, a Copel não registrou nenhum apagão que pudesse ter ligação com o bug. Por volta das 9 horas, Hamilton Lopes de Souza, um dos supervisores do plantão, encaminhava à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), comunicado dando conta que o início do ano 2000 não desencadeou falhas no sistema.
A Usina de Itaipu também não detectou nenhuma falha no sistema, segundo informou sua assessoria ontem. A usina está de olho no bug há pelo pelo menos três anos.
A Sanepar antecipou o bug em 9 horas, disse ontem o gerente de informática Antonio Roberto da Silva. O restabelecimento do sistema em tempo real ocorreu às 7 horas de ontem.
Em Londrina, as centrais de comutação e os equipamentos da área de atendimento telefônico da Sercomtel também atravessaram a passagem do ano sem apresentar falhas, segundo comunicado divulgado pela empresa ontem.

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