Brasília, 25 (AE) - As declarações do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), a jornais do Rio, de que poderá apoiar o ex-governador e ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PPS) à Presidência em 2002, foram recebidas por dirigentes tucanos como um recado de que o ministro da Saúde, José Serra, terá grandes dificuldades para consolidar uma eventual candidatura presidencial dentro do partido.
Para o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), aliado de Tasso, a declaração do governador deve ser levada a sério. "Dependendo de como estiver a imagem do governo federal não será nenhuma dificuldade para o PSDB apoiar um candidato adversário do presidente Fernando Henrique Cardoso", afirmou. "Pode até ser que o Ciro seja um adversário de Fernando Henrique, mas será que é um adversário do PSDB e contrário ao ideal programático nosso?". De acordo com senador, "entre Serra e Ciro, será muito difícil para nós no Ceará ficar com Serra, até por questões eleitorais regionais".
Mesmo dentro do grupo paulista do partido, há restrição ao nome de Serra. "Hoje, ele não teria a menor condição de competitividade e nem tem trânsito político para isto", afirmou um dirigente do PSDB de São Paulo. "O ponto positivo para nós é que Jereissati não se coloca ainda como candidato à Presidência e, pela primeira vez, afirma que o governador de São Paulo, Mário Covas, é o candidato natural da legenda." Este dirigente reconhece, contudo, que a impopularidade de Covas em São Paulo e seu histórico de saúde ( com 69 anos, teve câncer no ano passado e enfarte em 1986) está inviabilizando a sua própria candidatura presidencial. "Sem recuperar imagem em São Paulo, ele infelizmente não terá como se apresentar", lamentou.
As duas alas do partido concordam ainda em outro ponto: o governador cearense, por enquanto, não está trabalhando para ele próprio ser o candidato. "Eu não concebo o Tasso se lançando com o Ciro Gomes estando na corrida", disse Alcântara. "A única possibilidade que vejo de Tasso ser candidato a presidente é a retirada da candidatura do Ciro". "Estas entrevistas são muito mais um movimento para queimar Serra do que para se lançar", concordou o dirigente paulista.

mockup