Tucanos ligam acusador de Goro a caso PauBrasil
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Fausto Macedo 
São Paulo, 15 (AE) - A tropa-de-choque do governo Mário Covas (PSDB) - formada por assessores do primeiro escalão e deputados tucanos - acredita que simpatizantes do malufismo estariam incentivando as denúncias sobre corrupção na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
A suspeita foi reforçada a partir da informação sobre suposto envolvimento do ex-vice-presidente da companhia, Lázaro Piunti, com o esquema PauBrasil, que arrecadou US$ 19 milhões para as campanhas políticas do ex-prefeito Paulo Maluf, em 1990 e 1992.
Documento emitido pela Secretaria da Receita Federal revela que em 16 de novembro de 1990 a PauBrasil creditou, em valores da época, CR$ 900 mil (equivalentes a R$ 65,8 mil) na conta corrente 13161 de Piunti numa agência do Banco do Brasil em Itu.
Ação fiscal nas declarações de Piunti ao Imposto de Renda concluiu que o ex-vice da CDHU teria omitido "rendimentos recebidos da pessoa jurídica PauBrasil". O auto de infração foi despachado pelo auditor José Antonio Bertelli de Moraes, da Delegacia da Receita Federal em Sorocaba.
Piunti afirmou hoje que não é malufista, mas admitiu ter apoiado Maluf no segundo turno das eleições para o governo do Estado em 1990. "Eu não ia fazer campanha para o Maluf de graça", declarou.
"Não sei se recebi recurso da PauBrasil ou da Eucatex, o certo é que eu precisava cobrir despesas com material de propaganda e transporte." O ex-vice da CDHU afirmou que seus rendimentos sempre foram "rigorosamente declarados". "Jamais omiti qualquer coisa da Receita." Ele disse que não conhecia ninguém da PauBrasil.
Piunti é o principal acusador de Goro Hama, ex-presidente da CDHU. A PauBrasil Engenharia e Montagens Ltda, empresa que fechou em 1994, operou como ponto central de captação de contribuições financeiras. As doações clandestinas, feitas por 45 pessoas jurídicas e físicas, somaram US$ 19 milhões. O coordenador do esquema PauBrasil era o empresário Calim Eid - tesoureiro de Maluf -, morto em 1999.
Desde que se dispôs a apontar operações irregulares na CDHU, como superfaturamento em contratos, Piunti tornou-se o "inimigo público número um" da liderança do PSDB e alvo de um feroz processo de retaliação. Com suas revelações, Piunti agravou uma crise sem precedentes na companhia que conduz o maior projeto social de Covas.
Na semana passada, enquanto Piunti prestava depoimento à Comissão de Serviços e Obras da Assembléia sobre os negócios da CDHU, o líder do governo na Casa, deputado Walter Feldman (PSDB)
distribuía cópias de um prontuário policial com ocorrências envolvendo o ex-vice. São casos da década de 70, todos superados.
Os tucanos não escondem que querem desmoralizar Piunti. Feldman o chama de "traidor" e mandou um aviso: quer banir Piunti da vida pública. O ex-vice afirma ter sofrido ameaças de morte pelo celular e pelo telefone de seu escritório político.
Três vezes prefeito de Itu, Piunti é um dos fundadores do PSDB. Em 1990, ele candidatou-se a deputado estadual, mas não se elegeu. Covas, candidato ao governo, ficou em terceiro. Foram para o segundo turno Maluf e Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB), apoiado pelo então governador Orestes Quércia.
"É evidente que apoiei o Covas no primeiro turno", afirma Piunti. "No segundo, o PSDB não fechou com nenhum candidato e liberou os filiados." Piunti disse que definiu seu apoio a Maluf porque não queria que o quercismo permanecesse no poder. "O Quércia havia chamado o Covas de bunda mole, como é que eu iria dar meu apoio a um sujeito desses?"


