Brasília, 6 (AE) - Não é apenas o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que está preocupado com a demora dos resultados positivos na economia. Os dirigentes do PSDB também estão e marcaram para daqui a 60 dias uma reunião de avaliação do quadro econômico com o ministro da Fazenda, Pedro Malan. O novo encontro foi agendado na noite de quarta-feira, durante jantar de Malan com a executiva do PSDB, na casa do presidente do partido, senador Teotônio Vilela Filho (AL).
Preocupados com as eleições municipais do ano que vem, os tucanos querem uma reversão dos indicadores econômicos e sociais o mais rápido possível. Estão convencidos de que a situação econômica vai melhorar, mas temem que o prazo da reversão não conincida com o prazo eleitoral. "Tudo é uma questão de timing", disse um integrante da executiva do PSDB que participou do jantar.
No jantar na casa de Teotônio, eles disseram a Malan que a insatisfação nos estados está muito forte e que a popularidade do governo nunca esteve tão baixa. Os líderes tucanos disseram que estão perdendo quadros, potenciais candidatos às eleições municipais do ano que vem. A angústia tucana é porque no dia 30 de setembro termina o prazo de filiação partidária e quem sair não poderá voltar mais.
Malan procurou tranquilizar os dirigentes tucanos com o argumento de que os indicadores econômicos e sociais de hoje já são melhores do que há um ano. Lembrou que a taxa de desemprego caiu nos meses de abril, maio e junho e que a economia no primeiro semestre deste ano cresceu 3,5% em relação ao último semestre do ano passado. Além disso, a inflação está sob controle.
A perplexidade demonstrada pelo ministro da Fazenda, durante o jantar com a executiva do PSDB, é que esses números ainda não se refletiram na percepção do mundo político do País. Os dirigentes tucanos quiseram saber qual é o prazo estimado pelo ministro da Fazenda para que esses indicadores se consolidem ainda mais e que a população possa perceber claramente que o País voltou a crescer e que a oferta de emprego melhorou.
Malan estimou que num prazo de seis a sete meses o governo poderá mostrar com clareza indicadores muito favoráveis sobre a suas contas externas, o crescimento econômico, aoferta de emprego e o controle da inflação.
Frutos - O prazo dado pelo ministro da Fazenda à executiva do PSDB significa que em fevereiro ou março do próximo ano o governo e os seus aliados poderão começar a colher os frutos da melhoria economia. Se Malan não encantou os dirigentes tucanos pelo menos conseguiu uma solução de compromisso para as angústias do partido: dentro de 60 dias fará nova avaliação da conjuntura econômica com as mesmas pessoas que participaram do jantar na casa de Teotônio Vilela.
A única mudança que pode ocorrer na política econômica nesse período de 60 dias, de acordo com o que disse Malan no jantar, é a queda dos juros aos tomadores finais de dinheiro. O ministro da Fazenda disse que o governo vai adotar medidas para que o juro do crediário, o juro do tomador de empréstimo, o juro pago pelo pequeno empresário que levanta dinheiro no banco para o capital de giro de sua empresa seja reduzido e fique mais próximo da taxa de 19,5% ao ano paga pelo governo nos seus papéis.

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