Tucanos cobram novo perfil do ministério de FHC
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 07 (AE) - O ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, avalia que o presidente Fernando Henrique Cardoso corre o risco de perder a credibilidade caso não consiga dar um novo perfil a sua equipe na reforma ministerial. "Existem duas alternativas: ou se faz a reforma e muda o governo, mesmo correndo riscos de perder apoio, ou então ele se arrisca a perder credibilidade", disse Pimenta da Veiga a um grupo de jornalistas na noite de terça-feira, durante jantar em comemoração a seu aniversário.
O pensamento do ministro das Comunicações é compartilhado com os principais caciques tucanos, que exigem uma postura mais afirmativa do presidente Fernando Henrique. Na semana passada, o governador do Ceará, Tasso Jereissati, já havia cobrado firmeza do presidente no trato com os aliados no Congresso, e o governador de São Paulo, Mário Covas, disse que para enquadrar a base e retomar o comando, Fernando Henrique precisaria mexer em sua equipe. A postura dos tucanos está sendo vista como um contra-ataque do PSDB às pressões feitas pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e pelo presidente do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), que não querem perder espaço no governo.
Para Pimenta da Veiga, mesmo que uma reforma mais ampla provoque um racha na base aliada, em nenhum hipótese o presidente irá perder a maioria absoluta no Congresso. Para garantir a governabilidade é preciso ter metade mais um dos votos. Segundo ele, mesmo que haja uma divisão em alguns partidos como o PMDB, sempre terá uma parte significativa de parlamentares que continuará com o governo.
"Não precisamos mais dos três quintos do Congresso para aprovarmos mudanças constitucionais", disse Pimenta. "Por isso
por mais apoio que o governo possa perder, sempre terá uma maioria segura", completou.
Mas enquanto alguns tucanos apostam numa reforma ampla no primeiro escalão, outros não esperam grandes mudanças. "Estão atirando para todo lado, mas não existe nenhuma grande reforma em gestação", disse o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), líder do governo na Câmara.
O ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, reagiu hoje às especulações de que deixará o governo. Ao anunciar a nomeação dos novos presidentes do Instituto de Propriedade Industrial (INPI) e do Instituto Nacional de Metrologia e Qualidade Industrial (Inmetro), Lafer sugeriu que a indicação dos dois técnicos é um sinal de que continuará à frente do ministério. "A posse dos dois é um ato também referendado pela Presidência da República e eu, obviamente conversei sobre a questão da continuidade", disse Lafer.
O secretário Nacional de Direitos Humanos, José Gregori, foi escalado pelo Palácio do Planalto para funcionar como bombeiro na crise aberta entre Pimenta e o ministro da Justiça, Renan Calheiros (PMDB). No dia anterior, o ministro das Comunicações havia censurado Renan pela intenção de multar as companhias telefônicas. No Palácio do Planalto, ninguém escondia o constrangimento com o episódio. "Acho muito ruim mais um divergência pública no governo", disse o líder Arnaldo Madeira. "As pessoas deveriam usar mais o telefone para evitar esse tipo de confronto", completou Madeira.
Para amigos, Renan Calheiros rebateu a informação de que teria tomado essa iniciativa interessado em sua permanência no governo. "Minha atuação no ministério sempre foi em cima da defesa do consumidor", disse Renan a um interlocutor. Ele chegou a mostrar uma lista com mais de 15 episódios semelhantes, ressaltando como exemplo a multa de R$ 3 milhões, aplicada na Telefônica e na Telemar, em março desse ano, por não prestar serviços adequados ao consumidor.
Hoje ele chegou a conversar com o presidente do PMDB, senador Jader Barbalho, de quem recebeu apoio. Sobre notícias especulando sua substituição por um jurista no Ministério da Justiça, Renan rebateu: "Nunca procurei demonstrar aquilo que não sou, até porque estou aqui pela minha representação política", disse a um amigo. "Mas sempre tive a honradez e a coragem para tratar dos assuntos relacionados com a Justiça."


