Tucanos adotam cautela em relação ao escândalo em SP13/Mar, 20:12 Por Christiane Samarco, Rosa Costa e Tânia Monteiro Brasília, 13 (AE) - A crise no governo Celso Pitta desestabilizou o PPB de Paulo Maluf, que inferniza a vida do governador tucano Mário Covas, mas nem por isso há comemorações no governo federal ou na cúpula do PSDB. Segundo um tucano de trânsito livre no Palácio do Planalto, a palavra de ordem agora é cautela. "Estamos no meio do furacão e, infelizmente, não se pode subestimar a capacidade de reação do Maluf", explica o líder do PSDB. Líderes do PSDB, do PFL e do PPB concordam em pelo menos um ponto: o de que as denúncias não acrescentaram nenhum dado à biografia de Maluf em particular, exceto o fato de que ele e Pitta continuam jogando juntos, a despeito do rompimento público. Mais do que isso, predomina a avaliação de que eleição municipal acabará dando uma sobrevida ao PPB. Como a lei eleitoral exige um ano de filiação para os candidatos, qualquer operação desmonte do PPB, com a eventual divisão de seu espólio, terá que ser adiada para depois da disputa pelas prefeituras. O vice-presidente do PFL, senador José Jorge (PE), é um dos que aposta que, apesar do golpe, não se pode falar em extinção do PPB. "Partido no Brasil não morre; vira nanico", diz. Ele está convencido de que, a médio prazo, o PPB deverá encolher ainda mais a bancada federal que as eleições de outubro passado já reduziram à metade. Ainda assim, ele acredita que o episódio tem lá sua serventia para o Palácio do Planalto. Afinal, raciocina, as denúncias da primeira-dama paulista Nicéa Pitta são um golpe no maior adversário do PSDB paulista - o mesmo PSDB que domina a Esplanada dos Ministérios e, de quebra, ainda servem para desviar a atenção da opinião pública de Brasília para São Paulo. Mesmo na impossibilidade de um "desmonte" em período pré-eleitoral, ninguém tem dúvidas de que o episódio precipita uma movimentação nos bastidores pelo espólio pepebista. "Em São Paulo a briga vai ser boa", prevê José Jorge. Ele lembra que o PFL nunca conseguiu crescer em território paulista "por conta do Maluf, que ocupa todo o espaço da centro-direita no Estado". Com o enfraquecimento de Maluf, o PFL espera encontrar espaço para crescer no maior colégio eleitoral do País. O projeto do partido é lançar candidato à prefeitura paulista, possivelmente o senador Romeu Tuma (PFL-SP), que, segundo pesquisas de opinião pública, vem alcançando a faixa dos 12% na preferência do eleitorado. Avaliam os pefelistas que, com um discurso simples, em defesa da segurança do paulistano, Tuma tem um bom potencial eleitoral. Mas não é só o PFL e o PSDB que estão de olho nas sobras do PPB. O PMDB do presidente da Câmara e pré-candidato a governador de São Paulo, Michel Temer, também prepara sua ofensiva. O deputado Ricardo Izar (SP) lembra que dos dez peemedebistas de São Paulo, seis são egressos do PPB. "E já estamos conversando com outros três", antecipa, ao salientar que a figura "séria e serena" de Temer agrega bem a centro-direita.

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